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Rabiscos Soltos

Vou mas é pregar aos peixes

12.11.15 | P.

O meu eu dos 15 anos deve estar envergonhado com o meu eu dos 36 mas a verdade é que cada vez mais ando a perder a paciência para discussões e trocas de opinião absurdas no que a convicções diz respeito. Nem é bem falta de paciência, é mesmo a convicção de que não interessa, de que do outro lado nunca vai haver a tentativa de compreender ou sequer de respeitar a diferença. O meu eu dos 15, dos 20 e até dos 30 lutaria até à vitória ou à derrota final pelo que acredita. O meu eu dos 36 sabe que quanto mais falar mais razão vai perder, sabe que há opiniões que simplesmente não se partilham com toda a gente e que a maioria das pessoas realmente não se interessam pelo que penso ou sou, quanto muito interessam-se por tentar desvirtuar ou desvalorizar opiniões – porque ter razão em cenas subjetivas parece ser o objetivo de vida de tantas pessoas - mesmo que estas opiniões sejam o pilar da minha existência. Ter esta consciência faz-me, por um lado, respeitar mais os outros – sou defensora do “não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti – mas faz-me tantas vezes ficar numa posição periclitante entre aquilo que faz de mim quem sou e o que os outros gostariam que fosse, ou esperam que seja ou lá o que raio é.

Sei que agora sou uma pessoa socialmente mais “aceitável” mas confesso que tenho às vezes tenho saudades do mim aos 15 ou aos 20. Doida e sem papas na língua. É certo que havia muito menos gente a gostar de mim e que eu própria muitas vezes me arrependia de ser um furacão mas às vezes, só às vezes, acho que gostava mais de mim naquela altura.

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