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Rabiscos Soltos

#FIquemEmCasa Em tempos de isolamento social um blog pode ser uma janela para mundo. Fiquem em casa. Leiam. Escrevam. Ajudem. Sejam melhores. Sejam maiores. Mas fiquem em casa.

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Vamos falar de teletrabalho?

21.07.20, P.

Há quatro meses fomos, muitos de nós, para teletrabalho. Nessa altura escrevi este texto que continuo a subscrever.

Na altura a minha experiência em teletrabalho resumia-se a alguns dias por mês, de acordo com as regras da empresa onde trabalhava.  E trabalhar alguns dias por mês é muito diferente de trabalhar em casa de forma permanente. 

Comecemos pelas desvantagens e pela afirmação mais polémica de todo este texto: o teletrabalho não é para todos.

Nem toda a gente tem a disciplina para trabalhar remotamente. Há quem não consiga cumprir horários, que aproveite o tempo de trabalho para despachar uma série de coisas em casa e que não consiga compensar depois. Há quem não tenha autonomia suficiente para trabalhar sozinho. Há quem não tenha conhecimentos suficientes para trabalhar de forma autónoma. Há quem não goste de trabalhar sozinho. Para estes, o teletrabalho não é uma boa opção e tentar dizer que trabalhar remotamente é igual a trabalhar de forma presencial num escritório é estúpido.

Por outro lado, há quem não tenha condições em casa para trabalhar. Temos, no geral, casas pequenas para as nossas necessidades e ter um escritório é muitas vezes um sonho e não uma realidade, especialmente para quem tem filhos ou pais a viver consigo. Abdicar da sala, trabalhar no quarto ou na cozinha pode ser exequível para não é a opção perfeita. 

Passar 24h/dia em casa também não é fácil. Não ter contacto com colegas ou com pessoas diferentes pode ser um alívio e uma enorme limitação. Para os miúdos que começam agora a trabalhar pode tornar-se num problema social grave. Para quem luta contra depressões ou sofre violência doméstica pode ser trágico.

É necessária uma enorme discussão à volta do teletrabalho. Horários, pagamentos (não acho que um trabalhador deva receber mais por estar em teletrabalho mas também não é justo que receba menos), quem paga o quê (internet, impressora, papel, para não falar da luz, de ecrãs ou de cadeiras ergonómicas). Que essa discussão seja tida com seriedade por todas as partes.

Agora a parte boa.

Já vos disse como é bom trabalhar com o pé ao léu nestes dias de verão?

Dei-me lindamente a trabalhar de casa. Consigo ter a disciplina para cumprir horários e o pior mesmo é a quantidade de chamadas e vídeo-chamadas que me cortam um bocadinho o raciocínio. Mas gosto imenso de trabalhar remotamente.

E o teletrabalho salvou-me a vida nesta época de pandemia. Permitiu-me dar apoio a alguém que precisa de mim. Apoio que seria impossível ser dado da mesma forma se estivesse a ir todos os dias para o escritório. Permitiu-me ter paz para dormir. Permitiu-me ter capacidade e disponibilidade (mental e emocional) para ser uma melhor profissional. A empresa ficou a ganhar, eu fiquei a ganhar e a pessoa que precisa de mim ficou a ganhar.

Se considerarmos que se estima em Portugal a existência de mais de 800 000 cuidadores informais é muito fácil perceber como o teletrabalho neste contexto não tem uma dimensão displicente. Não será solução em todos, nem na maioria dos casos, mas é uma ajuda imensa. Poder estar em casa para garantir a medicação e a estabilidade (e muitas vezes, ou durante algum tempo, essa é principal necessidade) seria óptimo para todos, incluindo as empresas que teriam funcionários mais presentes, ainda que em teletrabalho, estimulados, mais assíduos e em paz. 

Para quem tem filhos pequenos, por exemplo, o teletrabalho poderia significar evitar os ATL's. Os benefícios para o ambiente são inegáveis. 

Para o interior do país, que não consegue criar trabalhos suficientes, poderia ser a salvação. Quantas pessoas optariam por sair das cidades e ir para aldeias e vilas pequenas, iniciando um ciclo de criação de empregos, repovoamento e renovação? 

E para quem não pode, pela natureza do seu trabalho, ou não quer, por gosto e opção, também beneficiaria com isto: imaginem metade do trânsito. Imaginem transportes públicos com menos gente, imaginem tempo poupado de manhã e à noite.

Ponderação, discussão, precisa-se porque, não duvido, o teletrabalho é algo de positivo pelo qual vale a pena lutar.

 

 

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