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Rabiscos Soltos

Tenho para mim que sou um caso clínico

24.07.15 | P.

Vivemos agarrados à internet, consumimos opiniões, notícias, imagens à velocidade máxima. As notícias, as polémicas, as palavras desaparecem numa questão de segundos. E se por um lado nada tem realmente importância - eu certamente não sou o centro do mundo e estou desconfiada que vocês também não - por outro lado um desabafo, uma palavra fora de tom, uma fotografia mal tirada, uma opinião contra-corrente pode condicionar e deixar uma marca permanente. Ao mesmo tempo nada tem importância e tudo atinge uma importância desmedida. Cada vez mais vivemos para os outros e menos para nós. Cada vez mais precisamos da aprovação dos nossos e cada vez mais nos convencemos que o nosso grupo fechado e limitado tem todas as respostas. Expomo-nos de uma maneira aberrante. Expomo-nos de uma maneira estúpida. E a mim parece-me sempre que há quem não tenha noção disso.

"Levas o facebook demasiado a sério" - esta é uma frase que oiço regularmente. E é verdade. Levo-o a sério porque o vejo como uma ferramenta de comunicação espantosa. E perigosa. Ponho muito pouca coisa no meu facebook. Mas a verdade é que, onde quer que eu vá, todos conhecem o meu gato. "há muito tempo que não pões fotos do teu gato", "só pões fotos do teu gato", "o teu gato é lindo". Questiono-me o que dizem às pessoas que passam a vida a pôr fotos suas com pernas e mamas à vista.... Incomoda-me que algumas pessoas achem que me conhecem, que conhecem a minha vida, só porque têm acesso ao meu facebook. Incomoda-me que outras pessoas ponham fotos minhas (mesmo que completamente inocentes e em grupo) num mural que nem sequer é o meu. Incomoda-me que me identifiquem e incomoda-me que não o façam. Ok, sou um bocado paranoica com o facebook, admito.

E no entanto tenho 2 blogs. Sou um caso perdido de incoerência. Mas em minha defesa digo-vos que o blog dos livros é mais ou menos inofensivo (ainda assim, raramente qualquer post que lá escrevo acaba no facebook e em 90% dos casos em que isso acontece não eu que faço essa ligação) e ainda assim é desconhecido da maioria das pessoas que conheço pessoalmente (e convenhamos que quem gosta de livros por norma não me assusta). E este blog quando começa a ser mais conhecido muda estrategicamente de plataforma, nome, etc. E tem um email associado diferente do outro ou do facebook. E em caso de "perigo" auto destrói-se em 5 segundos. 

Começo a acreditar que sou um caso clínico...

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