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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

Como ser invisível em 3 passos

1. Criar todas as contas possíveis e imaginárias nas redes sociais. Privilegiar o facebook e pedir abóboras virtuais aos amigos (cada vez mais) virtuais.

2. Publicar apenas fotos de gatinhos ou outras coisas igualmente chatas - Gatinhos e música de elevador - algo inócuo e não polémico, fazer publicações numa base regular (isto convém ser feito de forma gradual, menos gente dá conta e às tantas já se habituaram a que o teu perfil não tem nada de interesse)

3. Poucas visitas aos perfis dos "amigos" e poucos "likes" farão o algoritmo do Facebook e restantes redes sociais começarem a ignorar-te. E como tudo o que não acontece nas redes sociais não acontece na realidade, tornar-te-ás um bocadinho mais invisível a cada dia que passa. 

 

(o truque é continuares nas redes sociais, toda a gente acredita que, se algo de monta de acontecer vais escarrapachá-lo por lá e as fotos de gatinhos provam que estás viva/o e feliz, especialmente se, volta e meia, acompanhares as fotos com um "a sentir-se divertido")

Depois disso, ganhaste novamente liberdade. Usa e abusa do telefone, convida alguém para almoçar, jantar ou beber café enquanto comem gordices e falam de livros. E vais ver que ganhas tempo e ainda uns abraços nada virtuais :)

 

publicado às 19:03

Disclaimers aos molhos

O tema deste regresso é uma das razões pela qual este blog está quase morto. Não, não é a preguiça, que é obviamente a razão principal para não escrever, nem a falta de tema, apesar de nem sempre poder desabafar por aqui como gostaria (mania da privacidade, confidencialidade a que o meu trabalho obriga e que me inibe de falar sobre as coisas de que realmente sei). O tema deste post é esta obrigação de fazermos declarações de intenção a torto e a direito.

Sim, as palavras são importantes. Eu sou uma leitora, adoro palavras, textos, frases, ideias que saltam para uma frase, imagens que surgem de um texto. Eu sou bastante sensível a determinados temas, tenho bastante cuidado para não ofender ninguém mas, porra, estamos a passar os limites do razoável.

 

Ignorar o espírito das palavras, levando-as à letra sempre é muito estúpido.

Talvez tenha muito a ver com a substituição da interacção "cara a cara" com os outros para uma interacção virtual. Hoje em dia dependemos de bonequinhos para "revirar os olhos", temos que dizer que aquilo que dissemos era ironia (o que, convenhamos, tira todo o sentido à coisa).

 

Ter que explicar uma piada é triste. Muito triste. 

E ter que, antes de dar uma opinião ou fazer uma crítica ou um elogia, explicar que a nossa ideologia política é aquela, que acreditamos nisto ou naquilo, que gostamos de amarelo ou roxo, que somos simpatizantes de determinado clube de futebol, desgasta-nos, é estúpido e não faz nenhum sentido.

Caramba, pá, esta mania de, através das palavras, encaixarmo-nos (e encaixarem-nos) em compartimentos estanques é uma tristeza e um perigo.

E está tudo a tornar-se ridículo. Uma opinião fundamentada é irrelevante mas uma parvoíce e dissecada até à eternidade. E para dizermos uma parvoíce qualquer temos que fazer milhares de disclaimers antes e ainda assim vai haver alguém que não vai (querer) perceber a ironia, a brincadeira, a tolice, o segundo ou terceiro sentido, a piada  e em vez de ignorar, vai sentir-se ofendido, ripostar, ofender, chamar os amigos e levar um (não) assunto até às últimas consequências.

A sério, às vezes, uma piada é só uma piada. Uma parvoíce é só uma parvoíce.  

 

publicado às 12:41

cenas da vida moderna

Não és feminista, és feminazi

Se não és por mim, és contra mim

Se não pensas como eu, estás errada

Se defendes os animais... então e as crianças?

Se defendes as crianças... então e os velhos?

Se condenas uma acção dos EUA... então mas nunca falaste do bangladesh?

Se és contra a tourada... então e a tradição? E as crianças?

Se partilhas uma notícia que foi divulgada num jornal respeitável... és burra porque acreditas nos media tradicionais e eu é que sei

Não interessa se falas do que sabes... há sempre quem nem sequer seja da área mas seja, obviamente, especialista

Se dizes uma parvoíce qualquer ... mata-te (sim, é uma das respostas da moda)

Se ousas pedir dados para te informar mais... és estúpida porque a tua opinião devia ser a minha, sem questões ou estás errada

...

...

É cansativo viver em 2018!

 

publicado às 17:03

Ai Portugal, Portugal

Ai, Portugal, Portugal 
De que é que tu estás à espera? 
Tens um pé numa galera 
E outro no fundo do mar 
Ai, Portugal, Portugal 
Enquanto ficares à espera 
Ninguém te pode ajudar

 

Por acaso (talvez não por acaso) gosto muito das letras do Palma (mas aquele DVD do Só, Oh amigo, que raio foi aquilo? e um concerto tão bom, sei-o eu que estive lá). Mas não é do Palma que quero falar mas do país do Palma. Deste país que está sempre à espera de qualquer coisa, com um pé numa galera e outro no fundo mar.

Uma das coisas que mais me irrita é esta fatalidade que temos e esta mania de sermos treinadores de bancada, de não nos responsabilizarmos por coisa de nenhuma e, obviamente, sabermos sempre o que os outros fazem de mal (mas nós nunca, nós nunca, são os outros).

Qdo pus no facebook o texto que escrevi acerca da entrada dos animais numa restaurante (é o post anterior a este, se quiserem ler) tive, como já esperava, algumas lições de moral. Podiam ter-me dito que não concordavam e pronto, que não iriam ao dito restaurante porque não concordavam com tal e estava a coisa arrumada. Mas Português que é Português não concorda com isso porque os outros portugueses são pessoas de fraca educação e nenhum civismo e vai tudo ser uma rebaldaria, vão voar pêlos, garfos e copos, vão haver lutas e mijadelas pelo ar e pelo chão. Vai ser o terror porque os Portugueses são todos uns porcos.

Da mesma forma, acho sempre imensa piada quando se fala de horários laborais: os portugueses adoram fingir que trabalham, ficar até tarde e não são nada produtivos. Se falarmos de quem fuma então, nem pensar, as pausas para fumar são a raiz de todos os males (mas as pausas para ir ao twitter ou ao facebook já não são, porque quem o faz está a pensar o mesmo tempo e o cérebro dos fumadores aparentemente pára de vez em quando). Claro que quem faz este género de comentário não se inclui nestes portugueses.

Aliás, nós nunca nos incluímos neste género de coisa (sim, eu tb o faço, às vezes) e temos a tendência para nos moldarmos aos defeitos num fatalismo que me irrita e que nos leva a não ser a mudança que queremos ver no mundo.

 

publicado às 16:42

da diferença entre liberdade de expressão e de acção

Hoje venho tentar pôr em palavras algo que me anda a incomodar um bocado e que tenho alguma dificuldade em expor de forma clara.

Comecemos este exercício por imaginar uma qualquer polémica (não é difícil, pois não?) que incendeia as redes sociais.

Das redes sociais, a coisa salta para a TV, da TV para todas as pessoas que, estando nas redes sociais, ainda não tinham comentado a questão.

Ora, como as redes sociais são um reflexo da sociedade (mas ainda mais reivindicativos) há nestas uma igual quota parte de gente parva.

Até aqui nada de estranho.  A globalização e a facilidade de informação faz com que pouco ou nada passe despercebido. É positivo que a sociedade civil tenha uma palavra a dizer e seja opinativa. O problema vem, na minha opinião, depois.

Começa a ser normal que as autoridades, seja sob a forma de associações, comissões, várias “autoridades”, assembleia da republica ou até o ministério público resolvam agir. A maioria destas acções são, ou parecem ser, precipitadas. Estas acções parecem ser consequência directa das reclamações da sociedade civil.

Depois é a loucura. Deixa de se discutir a questão e passa a discutir-se a força das redes sociais, a parvoíce das redes sociais, o poder das redes sociais. Passa a discutir-se a democracia (o que seria positivo se não fosse tantas vezes trágico). Põe-se em causa a legitimidade da emissão das opiniões e das reivindicações. Põe-se em causa a liberdade de expressão.

Ora, dando um passo atrás, eu não quero limitar a liberdade de expressão de ninguém. Eu quero ter a liberdade de me insurgir e de, no Twitter ou no Facebook, dizer meia dúzia de parvoíces, ser chamada à razão, ouvir outros argumentos, desabafar.

Eu não quero que, por causa das minhas opiniões infundadas, de leiga, sejam tomadas decisões imponderadas. Quero, enquanto membro da sociedade civil, contribuir para uma discussão, dar o meu contributo à democracia. Não quero ser parte do problema.

É importante que a opinião publica seja ouvida e levada em conta. É igualmente importante que quem toma decisões, o faça sem medos e sem constrangimentos e com base em factos e argumentos válidos.

Calar a turba não é, sequer, uma possibilidade válida hoje em dia. Ter medo dela, agir a “toque de caixa” ou às mãos dos utilizadores das redes sociais também não deveria ser.

Uma das consequências de tudo isto é que as opiniões ponderadas cada vez têm menos espaço nas redes sociais – e como tal nestas decisões de que falo -seja porque os ponderados cada vez se afastam mais, seja por não estarem na moda. Todos nós sabemos que não são as opiniões ponderadas que chegam longe, que são discutidas, rebatidas, comentadas. São as parvoíces, são os extremismos, que são aclamados, difundidos.  Aliás, as opiniões ponderadas são, na sua maioria, massacradas nas redes sociais que vivem do “ou és por mim ou contra mim”. Basta conhecer um bocadinho da essência das redes sociais para não as levar completamente a sério. São excelentes para estar dentro de todos os assuntos, mas é necessário um enorme trabalho de separação do trigo e do joio para dali retirar o que de positivo elas têm.

publicado às 11:27

Com linguagem imprópria para gente sensível (zinha).

Há quem fique muito surpreendido quando me ouve a dizer palavrões mas isso é só porque não me conhece realmente bem. Na verdade sou um género de "camionista mental" que manda muita gente à merda (ou para outros sítios igualmente simpáticos) em pensamento e que, de uma forma mais ou menos silenciosa, usa muito expressão "puta que pariu". Se estou irritada, mas num dia bom, sai-me (ou penso) às vezes um "era dar-lhe com um gato morto nas trombas até o desgraçado miar" (o gato, não a pessoa, obviamente, que o género de pessoa a quem digo isto não fala gatês). Deixei de usar a expressão "era marrar de frente com um comboio" porque comecei a sentir-me culpada pela violência da imagem e porque geralmente a usava em estados emocionais em que era muito complicado explicar a alguém a diferença entre ser ou não literal sem a insultar mais um bocadinho.

Ora, isto interessa para quê? Nada, claro, excepto que há dias, como hoje, em que o único alívio possível é um sonoro Foda-se (por favor nunca escrevam fodasse, perde toda a credibilidade e sonoridade) ou escrever assim de rajada uma parvoíce qualquer. 

publicado às 17:40

Novelas mexicanas

Todos os dias há mais uma polémica nas redes sociais. Labaredas de fogo-fátuo que no dia seguinte ninguém já se lembra, de tão ocupados com a nova polémica que surgiu. Seguir algumas destas polémicas é mais ou menos a mesma coisa que seguir uma novela mexicana. Há os protagonistas, os personagens secundários, o núcleo do humor e o vilão. Há, do outro lado da barricada, quem assista no sofá, quem opine nas revistas da especialidade (aka facebook e/ou Twitter), há quem veja outro canal e outra novela. A malta sofre, vive aquilo com uma intensidade tremenda mas depois, no final do dia, vai dormir e esquece o assunto, porque uma novela tem sempre um peso relativo na nossa vida.

E os vilões às vezes são castigados a sério, às vezes atinge-se resultados. Mas na maioria dos casos o que sobra destes fogos-fátuos são vitimas colaterais, de quem ninguém mais sabe nem quer saber.

publicado às 11:30

do excesso (II)

Quem diria que eu, logo eu, fugiria de polémicas, de discussões inconsequentes (costumavam ser educativas e divertidas, actualmente são só, na sua maioria, parvas), de picardias? 

Mas não suporto as "verdades" de hoje em dia. As certezas de que quem não está connosco está contra nós, a certeza de que quem tem uma opinião diferente está obviamente errado, a facilidade com que se parte para o insulto gratuito. 

Sabem a necessidade que temos de às vezes, numa conversa/discussão, dizer "eu não concordo contigo mas respeito a tua opinião"? É frase que digo e que me deprime. Chegar a 2017 e precisar reforçar que todos temos direito à nossa própria opinião, mesmo que ela seja parva é coisa para me deixar deprimidíssima.  Respeitar a opinião dos outros é a base da democracia, porque carga de água é que temos que estar sempre a repeti-lo?

publicado às 08:00

do excesso (I)

Sempre ouvi dizer que "não há fome que não dê em fartura" mas sinceramente começo a acreditar que o contrário é mais verdadeiro. Enfim, a sabedoria popular não pode acertar sempre, não é?

Estou tão fartinha dos excessos. Tudo se vive como se hoje fosse o último dia, como se aquela conversa, aquela atitude fosse a mais importante da vida. Vivemos acima de tudo a achar que somos a última coca-cola do deserto. Não o somos. Nem eu, nem tu, nem sequer aquela pseudo-estrela das capas das revistas o é.

Eu sei que também sou excessiva em tanta coisa, levo sempre tudo muito a peito mas o tempo, a vida, as experiências ensinaram-me a fazer, diariamente, um exercício de humildade, de relativizar.

Deixar de perder tempo com merdices é talvez a minha grande resolução da actualidade. Quando o consigo chego ao final do dia mais feliz. 

Porque a verdade é qua amanhã já ninguém se lembra. Amanhã voltamos à programação habitual e pronto.

publicado às 20:32

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