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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

cenas da vida moderna

Não és feminista, és feminazi

Se não és por mim, és contra mim

Se não pensas como eu, estás errada

Se defendes os animais... então e as crianças?

Se defendes as crianças... então e os velhos?

Se condenas uma acção dos EUA... então mas nunca falaste do bangladesh?

Se és contra a tourada... então e a tradição? E as crianças?

Se partilhas uma notícia que foi divulgada num jornal respeitável... és burra porque acreditas nos media tradicionais e eu é que sei

Não interessa se falas do que sabes... há sempre quem nem sequer seja da área mas seja, obviamente, especialista

Se dizes uma parvoíce qualquer ... mata-te (sim, é uma das respostas da moda)

Se ousas pedir dados para te informar mais... és estúpida porque a tua opinião devia ser a minha, sem questões ou estás errada

...

...

É cansativo viver em 2018!

 

publicado às 17:03

Eutanásia

Vão ser discutidas na próxima semana várias propostas sobre a despenalização da eutanásia e o tema anda a causar furor nas redes sociais e igrejas. Mas como (quase) tudo o que causa furor nas redes sociais (e igrejas) a desinformação é igual ou superior à informação. E este processo de tentativa de aprovação de uma matéria tão importante tem sido o maior exemplo de desorganização deste país à beira mar plantado.

Um tema complexo, importante e com consequências tão importantes como este e está a ser tratado às 3 pancadas, com uma tentativa de vitória na secretaria. Lamento, isto é coisa que não perdoo aos deputados.

Se querem uma declaração de intenções dou-a com clareza: eu sou a favor da eutanásia. Espero ter um dia a hipótese de escolher o momento em que linha vermelha da dignidade mínima da vida foi ultrapassada e gostava de poder tomar essa decisão dentro da lei (até para não ter que ser tomada cedo demais).

Mas tenho muitas dúvidas. Tenho dúvidas acerca da formulação da lei, tenho dúvidas e mais dúvidas e não as vi esclarecidas. Não houve, nem de perto nem de longe, informação suficiente, debate suficiente, exaustivo. Não houve ponderação do país, das pessoas. Eu compreendo perfeitamente que esta matéria não seja levada a referendo – é que em referendo perdia liminarmente - lembram-se de lá em cima eu falar da igreja? A Igreja está a dar toda a informação e a fazer uma campanha contra a eutanásia de se lhe tirar o chapéu. E o CDS (para este efeito vou chamar-lhe uma espécie de braço político da igreja) também. Uma campanha sistemática e organizada.

E os defensores da eutanásia o que fazem? Declarações de interesse nas redes sociais. Não promovem o debate porque basta alguém ter a audácia de ter uma dúvida para ser imediatamente julgado e condenado – como se as dúvidas não fossem legítimas e importantes para chegar ao melhor resultado possível.

Um tema como este, que tem repercussões no âmago da sociedade em geral e em cada vida individual, e não está a ser discutido. Está a ser usado como arma política, religiosa.

Eu estou convencida que os projectos de lei não vão ser aprovados no parlamento. E isso preocupa-me. Se forem aprovados, será por unha negra e isso também me preocupa porque vão ser vetados pelo PR. Não sei se a sociedade está preparada para ter esta discussão. Mas sei que a sociedade não está preparada para tudo o que está a acontecer neste momento em relação a este tema (e a todos os temas que estão directamente relacionados com ela como cuidados paliativos, doenças crónicas, velhice, morte). E isso preocupa-me muito. Porque enfiar a cabeça na areia não ajuda ninguém.

publicado às 17:57

Ai Portugal, Portugal

Ai, Portugal, Portugal 
De que é que tu estás à espera? 
Tens um pé numa galera 
E outro no fundo do mar 
Ai, Portugal, Portugal 
Enquanto ficares à espera 
Ninguém te pode ajudar

 

Por acaso (talvez não por acaso) gosto muito das letras do Palma (mas aquele DVD do Só, Oh amigo, que raio foi aquilo? e um concerto tão bom, sei-o eu que estive lá). Mas não é do Palma que quero falar mas do país do Palma. Deste país que está sempre à espera de qualquer coisa, com um pé numa galera e outro no fundo mar.

Uma das coisas que mais me irrita é esta fatalidade que temos e esta mania de sermos treinadores de bancada, de não nos responsabilizarmos por coisa de nenhuma e, obviamente, sabermos sempre o que os outros fazem de mal (mas nós nunca, nós nunca, são os outros).

Qdo pus no facebook o texto que escrevi acerca da entrada dos animais numa restaurante (é o post anterior a este, se quiserem ler) tive, como já esperava, algumas lições de moral. Podiam ter-me dito que não concordavam e pronto, que não iriam ao dito restaurante porque não concordavam com tal e estava a coisa arrumada. Mas Português que é Português não concorda com isso porque os outros portugueses são pessoas de fraca educação e nenhum civismo e vai tudo ser uma rebaldaria, vão voar pêlos, garfos e copos, vão haver lutas e mijadelas pelo ar e pelo chão. Vai ser o terror porque os Portugueses são todos uns porcos.

Da mesma forma, acho sempre imensa piada quando se fala de horários laborais: os portugueses adoram fingir que trabalham, ficar até tarde e não são nada produtivos. Se falarmos de quem fuma então, nem pensar, as pausas para fumar são a raiz de todos os males (mas as pausas para ir ao twitter ou ao facebook já não são, porque quem o faz está a pensar o mesmo tempo e o cérebro dos fumadores aparentemente pára de vez em quando). Claro que quem faz este género de comentário não se inclui nestes portugueses.

Aliás, nós nunca nos incluímos neste género de coisa (sim, eu tb o faço, às vezes) e temos a tendência para nos moldarmos aos defeitos num fatalismo que me irrita e que nos leva a não ser a mudança que queremos ver no mundo.

 

publicado às 16:42

da diferença entre liberdade de expressão e de acção

Hoje venho tentar pôr em palavras algo que me anda a incomodar um bocado e que tenho alguma dificuldade em expor de forma clara.

Comecemos este exercício por imaginar uma qualquer polémica (não é difícil, pois não?) que incendeia as redes sociais.

Das redes sociais, a coisa salta para a TV, da TV para todas as pessoas que, estando nas redes sociais, ainda não tinham comentado a questão.

Ora, como as redes sociais são um reflexo da sociedade (mas ainda mais reivindicativos) há nestas uma igual quota parte de gente parva.

Até aqui nada de estranho.  A globalização e a facilidade de informação faz com que pouco ou nada passe despercebido. É positivo que a sociedade civil tenha uma palavra a dizer e seja opinativa. O problema vem, na minha opinião, depois.

Começa a ser normal que as autoridades, seja sob a forma de associações, comissões, várias “autoridades”, assembleia da republica ou até o ministério público resolvam agir. A maioria destas acções são, ou parecem ser, precipitadas. Estas acções parecem ser consequência directa das reclamações da sociedade civil.

Depois é a loucura. Deixa de se discutir a questão e passa a discutir-se a força das redes sociais, a parvoíce das redes sociais, o poder das redes sociais. Passa a discutir-se a democracia (o que seria positivo se não fosse tantas vezes trágico). Põe-se em causa a legitimidade da emissão das opiniões e das reivindicações. Põe-se em causa a liberdade de expressão.

Ora, dando um passo atrás, eu não quero limitar a liberdade de expressão de ninguém. Eu quero ter a liberdade de me insurgir e de, no Twitter ou no Facebook, dizer meia dúzia de parvoíces, ser chamada à razão, ouvir outros argumentos, desabafar.

Eu não quero que, por causa das minhas opiniões infundadas, de leiga, sejam tomadas decisões imponderadas. Quero, enquanto membro da sociedade civil, contribuir para uma discussão, dar o meu contributo à democracia. Não quero ser parte do problema.

É importante que a opinião publica seja ouvida e levada em conta. É igualmente importante que quem toma decisões, o faça sem medos e sem constrangimentos e com base em factos e argumentos válidos.

Calar a turba não é, sequer, uma possibilidade válida hoje em dia. Ter medo dela, agir a “toque de caixa” ou às mãos dos utilizadores das redes sociais também não deveria ser.

Uma das consequências de tudo isto é que as opiniões ponderadas cada vez têm menos espaço nas redes sociais – e como tal nestas decisões de que falo -seja porque os ponderados cada vez se afastam mais, seja por não estarem na moda. Todos nós sabemos que não são as opiniões ponderadas que chegam longe, que são discutidas, rebatidas, comentadas. São as parvoíces, são os extremismos, que são aclamados, difundidos.  Aliás, as opiniões ponderadas são, na sua maioria, massacradas nas redes sociais que vivem do “ou és por mim ou contra mim”. Basta conhecer um bocadinho da essência das redes sociais para não as levar completamente a sério. São excelentes para estar dentro de todos os assuntos, mas é necessário um enorme trabalho de separação do trigo e do joio para dali retirar o que de positivo elas têm.

publicado às 11:27

Falemos de... liberdade de expressão

Confesso-vos, estou um bocado aterrorizada. Medinho, cagufa daquela séria. 

A verdade é que tenho visto muita gente, miúdos, jovens, adultos, homens, mulheres, de tudo um pouco, a defender limites à liberdade de expressão. E isso aterroriza-me.

Vamos lá pôr os pontos nos iiis.

Defender a liberdade de expressão sem limites não é defender que que se pode dizer tudo IMPUNEMENTE. Quer apenas dizer que podes dizer tudo o que não configura crime sem ir de cana ou levar um tiro nos cornos. E que podes dizer o que configurar crime e ser condenado por isso por quem de direito.

Defender a liberdade de expressão sem limites não significa que concordes com todas as barbaridades que são ditas por aí, significa que respeitas os outros o suficiente para os considerar grandinhos o suficiente para ter bom senso e para (principalmente para) aceitar as consequências dos seus actos e palavras.

Preocupa-me que se ponha sequer a hipótese de voltar a ter uma sociedade com censura.. Preocupa-me que haja quem acha quem o defenda com unhas e dentes. Preocupa-me mesmo muito.

 

 

 

publicado às 15:10

um aparte

Quem me conhece sabe que não sou pessoa para me impor a ninguém. Tirando os amigos de casa, aqueles com quem me chateio a sério, com quem grito e admito que me gritem, não sou daquelas amigas cola. Não chateio os meus amigos informáticos quando tenho problemas no computador, não peço receitas nem baixas aos meus amigos médicos. Tento sempre respeitar os outros, dar-lhes a liberdade de ir embora quando querem e sem perguntas. Costumo dizer que não obrigo ninguém a gostar de mim. Mas se há merda que me tira do sério é ignorarem-me compulsivamente. 

Sim, o silêncio também é um tipo de resposta. O problema é que por norma eu não entro em paranóia se não me respondem. Acho normal, acontece. Nem se não me telefonam - não é o fim do mundo. E às tantas já não sei se a pessoa está mesmo a tentar afastar-se sem ter a coragem de me mandar à merda directamente ou se simplesmente aconteceu. Enfim, um dia, saberei. Ou não, também não faz grande diferença.

 

publicado às 23:30

Um voto, uma voz

Sempre que há eleições no horizonte tenho uma mega discussão com um amigo que insiste em não votar. Este ano já tinha decidido que não ia embarcar nessa outra vez mas tenho sina, sei lá, e saiu-me outro na rifa... lá houve nova discussão. 

Não consigo perceber como é que pessoas da minha idade se demitem de contribuir para a escolha de quem rege a sua vida. Eu sou a favor do voto obrigatório. Acho que apenas assim não votar seria efectivamente um protesto. Como o voto não é obrigatório, não votar é apenas preguiça e falta de respeito para com a sociedade em geral e com quem lutou pela democracia em particular.

infelizmente é muito difícil explicar a alguém que não votar não resolve nada e se limita a dar mais poder precisamente a quem dá mau nome à política e ao poder.

E invariavelmente dou por mim no meio de uma discussão inconsequente. 

Mas, e apesar de minha descrença na humanidade em geral (eu não era assim, caramba, eu era uma pessoa cheia de fé nos outros!) continuo a não desistir de pôr algum juízo em determinadas cabeças.

 

publicado às 21:30

Solteiros contra Casados

Confesso que pensei chamar a este post "GALP, BP ou CEPSA" ou "EDP vs Endesa" mas preferi usar uma expressão divertida, que me deixa de bem com a vida e que me faz lembrar um célebre jogo de futebol onde, às páginas tantas  (leia-se "quase no final do jogo"), se reparou que o árbitro estava de chinelos e uma das equipas tinha um elemento a mais. Mas rimo-nos até nos doer a barriga, houve insultos qb (generalizou-se a private joke da aldeia de "solteiros, olé!") e ficou toda a gente amiga na mesma.

A verdade é que posso dizer que "detesto futebol". Continuo a divertir-me imenso nos "solteiros contra casados" desta vida, acho que o desporto em si até é entusiasmante, até acho piada à atmosfera de união em redor da selecção nacional mas cada vez mais detesto o negócio do futebol (e que não sobre margem para dúvidas - isto não é nenhuma paixão para os envolvidos - é um negócio). O que me surpreende é a importância que tanta gente dá aos resultados destas empresas, o tempo que se perde a discutir o indiscutível, a ofensa que é alguém ser de outro clube ou dizer uma parvoíce qualquer em relação ao clube em questão.

Talvez eu não prestasse tanta atenção antes mas tenho a sensação que as coisas mudaram drasticamente nos últimos anos, que se saltou para um campeonato completamente diferente, que me preocupa e enoja.

publicado às 15:15

service not included

Se há coisa que me deixa sempre desconfortável é a questão da gorjeta. Não falo de umas moedas deixadas em cima da mesa após um jantar porreiro. Falo da obrigatoriedade ou não de a dar. Falo de gratificar um serviço que não pedi nem quero (por exemplo que carreguem a minha mochila para um quarto de hotel) ou de um serviço prestado com má cara ou má vontade.

Até há pouco a minha ideia de gorjeta era a de pura gratificação e hábito. O empregado de mesa até foi um porreiro e não nos deixou pedir a sobremesa de ontem? Então, sim, a malta junta-se e deixa-lhe algum dinheiro em cima da mesa. Mas no geral eu sou aquela pessoa que não regateia preços, compro quando acho o preço justo, quando posso e quero comprar. E por norma, acho que o salário do funcionário faz parte do serviço/bem que estou a comprar e como tal não lhe devo mais nada.

O problema é que o que é normal para mim, aparentemente, não o é para muitos patrões. 

A verdade é que já começamos a ver "service not included" na conta de certos restaurantes cá em Portugal, deixando ao cliente a decisão de pagar ou não ao funcionário. 

A minha primeira reacção é não voltar a tal restaurante mas a verdade é que provavelmente ali pagam ao empregado o salário mínimo e o resto são as "gorjetas", exactamente como em qualquer outro restaurante. Simplesmente ali há um "empurrão extra" para que o cliente deixe efectivamente a tal percentagem que cabe ao "serviço". E a verdade é que aquele miúdo que está em "formação" é um estagiário que não recebe nada a não ser a tal gorjeta. E eu tenho um grave problema com a ideia de "trabalho não remunerado". 

Não consigo aceitar que a gorjeta seja mais do que um extra bem-vindo. Mas também não consigo achar justo que alguém trabalhe de borla. Fico sempre na dúvida se, ao dar a gorjeta, estou a alinhar nesta exploração ou se estou a minimizar uma injustiça. De qualquer das formas, a problemática dos 10 ou 15% (a sério, o que se dá de gorjeta qdo se vai beber um café a um sítio com "service not included"?) continua a azucrinar-me o juízo.

publicado às 19:34

Machismo ao contrário

Não sei qual é o contrário de machismo. Machismo é, por definição, a ideologia que defende que o homem é socialmente superior à Mulher. Ora, como feminismo não defende a superioridade da mulher em relação ao homem, então o feminismo Não é o contrário de machismo.

O que hoje li, num site que se assume como feminista e tem, efectivamente, tido um papel importante na luta pela igualdade de direitos, chocou-me. Não pelo conteúdo porque, apesar de não concordar e de me parecer uma imbecilidade, sou a favor da liberdade de expressão – independentemente do texto ser ou não um reflexo da minha opinião.

O que me chocou foi mesmo aquele texto ser publicado naquela plataforma por ser, do meu ponto de vista, tão discrepante dos valores que supostamente difundem. Aquele post mostra um bocadinho do que é o contrário do machismo. E eu sei que não feminismo.

Depois chocou-me a tentativa de demarcação, do grupo responsável pelo site, em relação ao conteúdo. Das duas uma, ou assumem que sancionaram o texto, aceitando o seu conteúdo e considerando-o relevante e de acordo com os valores que pretendem transmitir ou assumem que são uma plataforma de discussão de várias ideias e que é cada um por si – e aí não podem assumir que são uma plataforma feminista. E não o podem fazer porque este texto marcou um retrocesso na luta pela igualdade e destruiu a credibilidade que tinham.

O que me lixa é que passo boa parte do tempo a dizer que ser feminista não é ser contra os homens, é lutar pela igualdade de direitos, deveres e oportunidades de todos, Homens e Mulheres e agora tenho que ainda acrescentar que sim, sei que há quem se auto-denomine feminista e seja antes uma imbecil radical.

(e não há cá links nem publicidade para ninguém, se não sabem do que estou a falar, ignorem, ficam muito mais felizes)

publicado às 14:39

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