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Rabiscos Soltos

Pela diversidade e pela identidade

14.05.17 | P.

Salvador Sobral ganhou-nos a Eurovisão com uma música cantada em português e sem fogo-de-artifício. Numa noite em que se devia celebrar a diversidade a maioria das músicas foram cantadas em inglês o que significou que boa parte da população desses países não foi representada. Dir-me-ão vocês que o Salvador provou que não é necessário perceber a letra para gostar da música e eu respondo-vos que o que Salvador provou foi que cantar com amor e em nome próprio ainda (tem dias) vale a pena.

Na noite em que o miúdo que canta "Amar pelos dois" se apurou para a Eurovisão li uma série de comentários no Twitter  (adoro seguir estas cenas no twitter) de miúdos (só se lhes perdoa pela idade) a "chorar" que íamos ser diferentes dos outros e que não cantando em inglês, não sendo igual aos outros, íamos perder outra vez. Espero que esta vitória sirva, ao menos, para fazer este miúdos, para fazer-nos a todos, pensar no que queremos para a nossa identidade. Nada contra cantores portugueses cantarem em inglês se assim o desejarem. Tudo contra cantores portugueses cantarem em inglês porque acham que só assim têm sucesso.

Uma música deve expressar a identidade, o talento, a arte, os sentimentos de quem canta. Não pode, não deve, ser apenas um negócio. 

Não tenho ilusões e sei que isto vai mudar nada, ou pouco. Os concursos televisivos vão continuar a ter maioritariamente concorrentes que desprezam a língua portuguesa. As rádios vão continuar a passar pouca música portuguesa e a que passam é escolhida a dedo. Eu vou continuar a não fazer parte da maioria e vou continuar a ser a pessoa estranha que gosta de ouvir música em português e que gosta de ouvir os poemas das músicas (talvez por isso tenha sido das poucas pessoas a ficar feliz com o prémio nobel da literatura dado a Bob Dylan). Mas talvez alguns miúdos queiram ser como o Salvador e a Luísa e ousem ser originais.

Diversidade e identidade.