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Rabiscos Soltos

#FIquemEmCasa Em tempos de isolamento social um blog pode ser uma janela para mundo. Fiquem em casa. Leiam. Escrevam. Ajudem. Sejam melhores. Sejam maiores. Mas fiquem em casa.

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Pagaiadas

19.08.16, P.

A primeira vez que entrei numa canoa tinha 12 anos e muita vergonha. Para mim ficou a “banheira” que não virava nem por decreto. Um empurrão e estava no meio do rio. Duas provas nesse dia: voltar à margem e levar a canoa sozinha para cima. Uma coisa de cada vez. Voltas e voltinhas (ainda não sabia que aquela merda não tinha leme e que a rapidez, a força e a cadência nas pagaiadas eram fundamentais), muita vergonha porque não saía do mesmo sítio e havia imensa gente na margem a assistir ao espetáculo. A F. na margem mandou um dos putos ir buscar-me. Não sei se teve pena de mim, se o facto de ser da turma dela, meia-leca e obviamente boa aluna ajudou ou se só queria curtir o pratinho. “Podes ir embora, vim para aqui sozinha, saio sozinha, nem que leve a tarde inteira”. A teimosia ofereceu-me o respeito e uma amiga maravilhosa. Ter 12 anos, ser miúda e ter que carregar com a canoa às costas por um caminho de cabras a pique nem sequer foi o mais difícil – percebia que o treinador tinha que garantir que os barcos eram levados em segurança para o clube e que só ali estava gente que levava a coisa a sério (e que não se matava na puta da subida). As provas físicas nem sequer foram o mais difícil, tal como não o foi o frio cada vez que a canoa virava (eventualmente passei para um K1, com leme, que já não andava às voltinhas e que virava com muita facilidade) em pleno inverno. O mais difícil foi a alergia que fiz à fibra dos barcos e que me obrigava a pôr creme nas pernas em cada intervalo das aulas. Mas o que me venceu foi chegar ao verão e em vez de subir o rio tive que ir para a serra, para “casa” longe dos amigos, longe do cais, longe do mar. Não tinha acesso à melhor época de treino do ano.

No ano seguinte voltei para a escola mas não voltei a entrar numa canoa. Fui antes para a ginástica mas só dois anos depois descobri o meu amor pelas paralelas. Daquele ano ficou o respeito por todos os canoístas, em especial por quem luta e leva as cores Portugueses às águas dos Jogos Olímpicos. Continuo a torcer por vocês.

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