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Rabiscos Soltos

#FIquemEmCasa Em tempos de isolamento social um blog pode ser uma janela para mundo. Fiquem em casa. Leiam. Escrevam. Ajudem. Sejam melhores. Sejam maiores. Mas fiquem em casa.

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Não se deixem enganar pelo ar fofinho

21.02.18, P.

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Tem mesmo um ar doce, não tem? Lindo que dói, é uma estrela no meu facebook, eu sou conhecida além-fronteiras por ter um gato lindo, com olhos doces. Mas a verdade é que isto é uma fera!

O meu piolhito teve um problema renal, a coisa esteve assim malzinha, gastou uma das nove vidas e depois de 5 dias internado voltou para casa, malcheiroso e com muitos comprimidos para tomar. Os primeiros dias não foram muito difíceis, ele estava ainda muito debilitado e tomou tudo com poucas reclamações. Os últimos dias do tratamento já implicaram algumas lutas, bufadelas de parte a parte e uma certa ginástica, seguida de birra do menino.

Ontem, no seguimento de mais uma consulta de seguimento, voltou a trazer anti-inflamatório para tomar. 

(vou passar a parte da birra no Veterinário, não foi assim tão mau - o 1/4 de valium que enfiou no bucho ajudou)

(também vou passar à frente a luta para o pôr na transportadora- os dois arranhões que tenho na cara não estão com tão mau aspecto assim)

(vou passar directamente para o filme: dar um comprimido a um gato)

A vet disse-nos que os gatos geralmente gostam daquele comprimido, que por norma eles comiam tipo snac. Por isso assim que cheguei a casa tentei dar-lhe o comprimido. Atirei-lho, como se fosse uma brincadeira. Cheirou-o e veio pedir brincadeira, mas deixou lá o dito cujo.

Pu-lo na taça da comida e tive uma conversa séria com ele:

"ZéGato, tens 2 hipóteses: tomas o comprido a bem ou a mal. Dou-te até à hora de irmos dormir, tu é que sabes"

(imaginam o que aconteceu, não é? pois)

(esqueci-me de vos dizer que comprei um lança-comprimidos - não resulta)

Na primeira tentativa, pus o comprimido num bocadinho de comida. Comeu tudo... excepto o comprimido, que ficou solitário no fundo da taça.

Apanhámo-lo, ele começou a espernear, e o comprimido veio cá para fora uma vez.

Mais miadelas como se o estivessemos a esmagar, mais uma unhada na minha mão e mais uma vez o comprimido a ser deligentemente cuspido (nesta altura, já não era o meu gato fofinho, era um cabrãozinho que me estava a irritar)

Fuga para o quarto, onde o intercepto a tempo. Basicamente agarro-o, à bruta, abro-lhe a boca e toca de enfiar o comprimido lá para dentro (nesta altura já tinha desistido do lança comprimidos). Agarramos-lhe o focinho para não o deixar cuspir, soprar-lhe para o focinho para o forçar a engolir (truque da vet), esperar um bocadinho ao som de rosnadelas  e libertá-lo.... cuspidela e comprimido no chão. 

Desisti.

Meia dúzia de palavrões, acompanhado de um "Se não quiseres tomar, não tomes, o resultado vai ser teres um tubo enfiado na pila outra vez

Depois de respirar, de tomar os meus comprimidos (a puta da febre não me larga), decidi pôr-lhe o comprimido numa colher de latinha (diferente da primeira) e ir dormir. 

Antes que tivesse saído da cozinha, o gajo tinha comido tudo, incluindo o comprimido.

Cabrão!

 

 

 

 

2 comentários

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    P.

    21.02.18

    yep. Quando faço isso o meu tenta escapar-se para trás, o cabrãozinho. Geralmente acabo por conseguir mas ontem já estava desvairada, confesso.
    Mas olha, enquanto for assim é sinal que ele até está bem. É que o vê-los completamente quebrados é horrível.
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