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Rabiscos Soltos

#FIquemEmCasa Em tempos de isolamento social um blog pode ser uma janela para mundo. Fiquem em casa. Leiam. Escrevam. Ajudem. Sejam melhores. Sejam maiores. Mas fiquem em casa.

Rabiscos Soltos

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Compras em tempo de pandemia

26.03.20, P.

Sou cliente assídua do continente online com entrega em casa. Dá-me jeito, (acho que) poupo dinheiro e tempo. Antes disto tudo começar, nós fizemos uma compra grande e preparámos os armários para uma possível quarentena de cerca duas semanas. Era o tempo que, na altura, se pensava ser necessário. Para além das compras habituais no continente online, fui ao talho do costume e comprei carne para muito mais tempo do que o habitual, à frutaria do costume, à loja de produtos biológicos onde compro a farinha para o pão e ao Lidl que tem alguns produtos que não compro noutro sítio. No dia em que vim trabalhar para trabalhar só precisei passar no veterinário e comprar mais um saco de comida para o gato, dois sacos da areia habitual (andávamos há mais de uma semana a dizer que nos faltava isso) e pronto, entrei em modo isolamento.

Depois disso ainda fiz uma encomenda do continente que me será entregue no dia 08 de Abril e que será uma surpresa - sinceramente já não me lembro o que encomendei mas como nesta fase só compro cenas básicas, certamente terá coisas que dão jeito.

Mas depois deixei de ser parvinha. 

Agora, só faço compras aqui no bairro. A mercearia do fim da rua, tem tudo aquilo que possa ser necessário - até tem papel higiénico com fartura - desde congelados e frescos (tenho comido imensos morangos este ano)  até doces, sabão azul ou latas de conserva. E já aprendi as horas a que está vazia. 

Aproveito, estico as pernas, caminho um bocadinho e trago o que preciso. 

E não, não vou lá todos os dias. Vou talvez, duas, três vezes por semana. Basicamente vou lá quando preciso de comprar fruta ou legumes. Se (Quando) as coisas piorarem logo me apoio nas latinhas de ananás e pêssego que comprei para colmatar essa falta.

Há várias razões que me fazem optar pela mercearia e pelo comércio local. A qualidade dos frescos - frutas e legumes - sempre foi uma razão para ir ao comércio local. Há anos que não compro fruta nas grandes superfícies e sinceramente não pretendo mudar isso. Nestas lojinhas há de tudo. Mesmo que, às vezes com marcas manhosas, mas há de tudo. Nem sempre é mais caro - as cápsulas de café, por exemplo, são bastante mais baratas que em qualquer grande supermercado. Não percebo mas há anos que reparei e só as compro ali. A relação pessoal - se há qualquer coisa que quero e não há, basta-me pedir e uns dias depois já está disponível para compra.

Nesta fase, a acrescentar a isso, há o facto de preferir que o meu dinheiro vá para o comércio local que para as grandes superfícies. Mesmo em termos de exposição ao vírus, confio mais naquelas pessoas que são uma família, protegem-se uns aos outros e aos seus empregados (que são poucos e tb um pouco família) que nos responsáveis pelos grandes cadeias de hipermercados. Além disso, as lojas pequenas têm um ambiente mais controlado que as grandes superfícies - que não estavam, de todo, preparadas para este embate  e cuja preocupação com os seus "colaboradores" é, no mínimo, questionável.

Tenho lido por aí que faltam coisas, que as prateleiras estão vazias, que não podem fazer uma sopa ou outras baboseiras do género. Até pode vir a acontecer (espero que não cheguemos a tanto) e até pode acontecer em situações pontuais. A minha experiência é a contrária: tenho tido à minha disposição produtos de boa qualidade e sem filas nem confusões (basta-me falhar a hora de entrega do pão e tudo corre bem).

Comprem português, comprem local e talvez se surpreendam pela qualidade e quantidade que está disponível.