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Rabiscos Soltos

#FIquemEmCasa Em tempos de isolamento social um blog pode ser uma janela para mundo. Fiquem em casa. Leiam. Escrevam. Ajudem. Sejam melhores. Sejam maiores. Mas fiquem em casa.

Rabiscos Soltos

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A esola acabou. E agora?

27.03.20, P.

Devo começar por dizer que não sou professora nem tenho filhos em idade escolar. Fui aluna durante muitos anos, acompanhei várias crianças ao longo do seu percurso escolar e, como filha, prima e amiga de professores, ouço-os bastante. 

Ao longo das últimas semanas tenho ouvido várias opiniões. Tenho ouvido pais cansados com a quantidade de trabalhos que os filhos têm para fazer - e agora que também são meio professores a coisa fica diferente; tenho ouvido professores cansados com a dificuldade que é tentar ensinar à distância; tenho ouvido gente que não sabe muito bem como proceder nem o que fazer para continuar a ensinar.

Fala-se da possibilidade da avaliação do segundo período ser a avaliação final, de uma espécie de passagem administrativa e eu questiono-me sobre o melhor a fazer. O que prejudica menos alunos?

Acho que, nesta altura do campeonato, ninguém tem dúvidas de que o terceiro período não vai ter aulas presenciais. Os professores, pais e alunos vão continuar de quarentena. Vamos tentar não dar todos em malucos nos próximos meses, quando virmos o mundo a sofrer com esta pandemia.

A minha questão: quais as consequências disto tudo? 

Alguns pais têm condições para ensinar os filhos em casa. Dar-lhes apoio, fazer coisas giras, estimular-lhes a criatividade e esta diferença na forma de ensinar e aprender vai ser benéfica. Esses não me preocupam. Têm todos as ferramentas para fazer disto uma experiência para a vida. mas estes serão a minoria.

Depois haverá os pais que até têm capacidade para os ensinar mas que já não têm condições. Seja porque os putos são umas pestes e já não aguentam estar fechados em casa (ainda por cima com trabalhos para fazer) seja porque eles já não conseguem estar fechados em casa, têm muito trabalho, pouco dinheiro e estão a fazer das "tripas, coração" para não dar em doidos.

E depois há os outros, os que não conseguem ajudar os filhos porque não sabem, porque lhes falta o conhecimento, a capacidade, o tempo. 

Uma professora dizia-me: vou mandar-lhes trabalhos como se muitos deles não têm computador em casa e os que têm são demasiado pequenos para trabalhar sem ajuda (e os pais, bem, não dá...)? Porque sim. há neste país muita gente que não tem computador em casa. E há muitos miúdos que são unicamente acompanhados pelos professores, pelos funcionários. 

Para estes, esse vai ser um ano perdido. E para muitos outros também. Mas os prejudicados são os de sempre. Os mais pobres, os filhos de quem tem que continuar a trabalhar para que o país não pare por completo (que muitos vão lembrar-se deste época como uma época de medo). 

E uma vez mais não vai haver justiça nem igualdade. Porque igualdade também é igualdade de oportunidades e o sistema de ensino, por muitos defeitos que tenha, é o único garante de luta pela igualdade de oportunidades. São os professores, esses que são tão maltratados por todos, que dão as ferramentas necessárias a que muitos miúdos consigam lutar por uma vida melhor e mais justa. 

Mas e agora? Como se vai arranjar forma de dar a volta a isto?

 

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