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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

isto está a tornar-se ridículo

Permitam-me um post de auto comiseração. Uma pessoa passa 3 meses assim para o mauzinhos mas aguenta-se, que remédio. Mas depois cria algumas expectativas, saudáveis, de ter uns dias de sossego, de voltar a ver os amigos, jantar fora, beber uns copos e vai daí a puta de uma gripe instala-se, estica as patinhas e aninha-se num "daqui não saio, daqui ninguém me tira".

Em vez de copos há antibióticos, os meus e os dele, em vez de amigos há médicos. É certo que vêm a casa mas não é a mesma coisa, acreditem que não é. 

Está a tornar-se ridículo, esta puta desta gripe não desampara a loja, ora tem um febre, ora tem o outro, um dói-lhe a garganta por causa da amigdalite, não pode falar alto, o outro tem uma otite e os ouvidos tapados, está surdo que nem uma porta, é um diálogo de malucos, se não fosse trágico seria divertido.

 

publicado às 17:33

da diferença entre liberdade de expressão e de acção

Hoje venho tentar pôr em palavras algo que me anda a incomodar um bocado e que tenho alguma dificuldade em expor de forma clara.

Comecemos este exercício por imaginar uma qualquer polémica (não é difícil, pois não?) que incendeia as redes sociais.

Das redes sociais, a coisa salta para a TV, da TV para todas as pessoas que, estando nas redes sociais, ainda não tinham comentado a questão.

Ora, como as redes sociais são um reflexo da sociedade (mas ainda mais reivindicativos) há nestas uma igual quota parte de gente parva.

Até aqui nada de estranho.  A globalização e a facilidade de informação faz com que pouco ou nada passe despercebido. É positivo que a sociedade civil tenha uma palavra a dizer e seja opinativa. O problema vem, na minha opinião, depois.

Começa a ser normal que as autoridades, seja sob a forma de associações, comissões, várias “autoridades”, assembleia da republica ou até o ministério público resolvam agir. A maioria destas acções são, ou parecem ser, precipitadas. Estas acções parecem ser consequência directa das reclamações da sociedade civil.

Depois é a loucura. Deixa de se discutir a questão e passa a discutir-se a força das redes sociais, a parvoíce das redes sociais, o poder das redes sociais. Passa a discutir-se a democracia (o que seria positivo se não fosse tantas vezes trágico). Põe-se em causa a legitimidade da emissão das opiniões e das reivindicações. Põe-se em causa a liberdade de expressão.

Ora, dando um passo atrás, eu não quero limitar a liberdade de expressão de ninguém. Eu quero ter a liberdade de me insurgir e de, no Twitter ou no Facebook, dizer meia dúzia de parvoíces, ser chamada à razão, ouvir outros argumentos, desabafar.

Eu não quero que, por causa das minhas opiniões infundadas, de leiga, sejam tomadas decisões imponderadas. Quero, enquanto membro da sociedade civil, contribuir para uma discussão, dar o meu contributo à democracia. Não quero ser parte do problema.

É importante que a opinião publica seja ouvida e levada em conta. É igualmente importante que quem toma decisões, o faça sem medos e sem constrangimentos e com base em factos e argumentos válidos.

Calar a turba não é, sequer, uma possibilidade válida hoje em dia. Ter medo dela, agir a “toque de caixa” ou às mãos dos utilizadores das redes sociais também não deveria ser.

Uma das consequências de tudo isto é que as opiniões ponderadas cada vez têm menos espaço nas redes sociais – e como tal nestas decisões de que falo -seja porque os ponderados cada vez se afastam mais, seja por não estarem na moda. Todos nós sabemos que não são as opiniões ponderadas que chegam longe, que são discutidas, rebatidas, comentadas. São as parvoíces, são os extremismos, que são aclamados, difundidos.  Aliás, as opiniões ponderadas são, na sua maioria, massacradas nas redes sociais que vivem do “ou és por mim ou contra mim”. Basta conhecer um bocadinho da essência das redes sociais para não as levar completamente a sério. São excelentes para estar dentro de todos os assuntos, mas é necessário um enorme trabalho de separação do trigo e do joio para dali retirar o que de positivo elas têm.

publicado às 11:27

Feminismo bom, feminismo mau

Portugal, Mundo, 2018. O feminismo está na ordem do dia e todos, todos, defendem que o seu é o bom. Depois há o outro.

Acho que devo começar este post com um disclamer: eu defendo a igualdade de género, a violação é crime.

Pronto, disclamer feito, posso começar a criticar e vou ter toda a razão do meu lado, porque já disse e ficou registado: eu defendo o tipo de feminismo certo.

E agora posso atacar essas feministas histéricas, extremistas, que querem à força direitos, essa coisa estranha. E que se me criticarem, estão a tentar acabar com o meu direito à liberdade de expressão, de opinião (mas nunca se esqueçam que eu sou feminista, e das feministas que defende o feminismo certo).

E se está na constituição que todos têm direitos iguais, que mais querem? Já está consagrado na lei. Os direitos são iguais para todos. Ai que chatas, essa mania de mulheres e homens ganham salários diferentes para trabalhos iguais, essa mania que violência doméstica pende sempre para o lado feminino. Olhem, até conheço um homem, que ganha menos que a mulher e outro que já levou um estalo da mulher (que choninhas, pá, então mas o gajo deixa que a tipa lhe dê um estalo?). Pronto, está provado. Não é preciso essa coisa do feminismo, que é cena de histéricas nas redes sociais. Mas eu não sou machista, que cá para mim são todos iguais. Há muito homem que também é feminista histérica. Viram? Eu defendo o feminismo certo. São todos iguais.

Pronto, agora a sério. Sim, eu sou feminista mas não desse género de feminismo que precisa de se vestir de negro e vai buscar cenas ao passado. Não podemos antes fazer um ponto e zero e dizer: daqui para a frente é que é, já não há cá mãozinhas, nem bocas, nem pilas onde não devem estar? Agora mudar as regras a meio do jogo, fica mal, estraga vidas e ninguém aqui quer estragar vidas, pois não? Somos todos iguais.

Ficamos combinados, então? Defendemos o feminismo certo, mas baixinho, assim como fica bem às mulheres. Ladies, a malta quer é ladies (e se querem falar das putas na cama, só vos digo, que essas, essas, tiveram sorte e subiram na carreira. E agora queixam-se. putas, pá).

publicado às 17:02

Retomamos a programação habitual

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Pronto, este blog já voltou a ser seguro. Depois da loucura do post anterior (assusto-me sempre quando isto acontece - e isto acontece quando o Sapo, por qualquer motivo, resolve destacar um post) regressámos à paz que por aqui costuma reinar. 

publicado às 10:20

Este país, este mundo, não é para velhos

Passo os olhos pelas notícias e vejo que este ano o irs só pode ser entregue em formato electrónico. Não duvido que a maioria das pessoas da minha geração, ao ver essa notícia, pensa algo do género “ora até que enfim, no mundo online em que vivemos nem faz sentido outra coisa”. Eu, desde que comecei a minha carreira contributiva, só entrego o irs assim, via electrónica. Não sei o que é ir para as finanças entregar papéis, acho uma perda de tempo ter que ir pessoalmente fazer coisas que podem perfeitamente ser feitas através da internet.

Mas ainda assim esta notícia deixa-me com um nó na garganta porque sei que é mais uma machadada na autonomia de tanta gente.

Num país, num mundo, onde os mais velhos são um dos pilares da sociedade – temos a tendência a falar dos pensionistas como um cargo para o estado esquecendo, não só o contributo que sempre deram para construir a sociedade que temos, como o património que têm assim como o suporte que dão a filhos e netos que não ganham o suficiente para as suas necessidades.  Ora boa parte destes pensionistas têm a sua rotina e o controlo das suas vidas – e isso inclui fazer e entregar o irs.

Podem dizer-me que “os filhos e netos que os ajudem” e sim, é muito importante darmos apoio aos nossos velhos, ajudarmo-los a viver num mundo que todos os dias lhes é roubado porque a parte a que não conseguem aceder – a virtual – lhes está vedada. Está-lhes vedada, não por culpa ou escolha deles mas porque a idade já não lhes permite aprender o suficiente para tal.

Podia agora falar do fecho dos correios que vai obrigar a que estes velhos sejam obrigados a deixar de ir receber a sua pensão pessoalmente – e que lhes vai retirar autonomia.

Podia falar de todos aqueles que não sendo velhos, nem reformados, não têm apetência para a informática, para as virtualidades e que vão ter que pagar a quem lhes faça isto – e que não tendo dinheiro vão acabar por escolher contabilistas e solicitadores de vão de escada que, com ou sem intenção, os vão enganar.

Podia falar de tantas coisas que me tenho apercebido nos últimos tempos e que me leva a acreditar no título deste post. Este país, este mundo, não é para velhos.

publicado às 12:21

expectativas

Gerir as nossas expectativas é sempre difícil. Quando esperamos demasiado de um livro, de um filme, de alguém, corremos o risco de perder o melhor que ali existe porque estamos à procura de mais. Muitas vezes nem sequer estamos à procura de melhor, estamos simplesmente à procura de mais, de algo diferente.

Aconteceu-me demasiadas vezes. Ainda acontece, para dizer a verdade. Desiludirmo-nos é uma das coisas que mais entristece. Pior que isso é desiludirmos os outros.

Quantos erros não cometemos porque, ao tentar desesperadamente atingir as expectativas daqueles de quem gostamos, nos perdemos de nós mesmo e nos estatelamos ao comprido? 

Eis uma aprendizagem que me tem sido difícil: controlar as expectativas, agir ou falar sem ter em conta aquilo que esperam de mim, mesmo que isso me traga dissabores, mesmo que isso sirva de um filtro não desejado.

Por vezes preciso controlar a minha impulsividade e dar espaço aos outros. 

Lembro-me muitas vezes da oração da serenidade que tento pôr em prática em muitas versões da minha vida, principalmente no que às expectativas dos outros diz respeito.

Que tenha a  Serenidade
para aceitar as coisas que não posso modificar,
Coragem para modificar aquelas que posso
e Sabedoria para reconhecer a diferença.

Tenho uma amiga que põe isto de uma forma que adoro. Segundo ela  (mau-feitio que só visto) as expectivas dos outros gerem-se com a política do cornetto: "quem não gosta, não gosta, quem gosta, gosta sempre". O CR no euro também pôs as coisas de uma forma um tanto ou quanto crua mas perfeita: que sa foda.

Bom 2018 para todos

publicado às 13:54

Falemos de... liberdade de expressão

Confesso-vos, estou um bocado aterrorizada. Medinho, cagufa daquela séria. 

A verdade é que tenho visto muita gente, miúdos, jovens, adultos, homens, mulheres, de tudo um pouco, a defender limites à liberdade de expressão. E isso aterroriza-me.

Vamos lá pôr os pontos nos iiis.

Defender a liberdade de expressão sem limites não é defender que que se pode dizer tudo IMPUNEMENTE. Quer apenas dizer que podes dizer tudo o que não configura crime sem ir de cana ou levar um tiro nos cornos. E que podes dizer o que configurar crime e ser condenado por isso por quem de direito.

Defender a liberdade de expressão sem limites não significa que concordes com todas as barbaridades que são ditas por aí, significa que respeitas os outros o suficiente para os considerar grandinhos o suficiente para ter bom senso e para (principalmente para) aceitar as consequências dos seus actos e palavras.

Preocupa-me que se ponha sequer a hipótese de voltar a ter uma sociedade com censura.. Preocupa-me que haja quem acha quem o defenda com unhas e dentes. Preocupa-me mesmo muito.

 

 

 

publicado às 15:10

Nunca sei se a ignorância é uma bênção ou se é apenas muito atrevida

As putas das certezas que temos em teoria......caem por terra assim que a realidade entra em acção.

Decisões que nos parecem fáceis, em teoria, questões sobre as quais temos uma opinião, uma certeza, e que às vezes até votamos em forma de referendo e, com a democracia em vigor,  a que damos força de lei transformam-se em dúvidas, em temas em que não queremos pensar.

Quem tem a capacidade de decidir sobre o direito que uma mulher tem de fazer um aborto ou de alguém optar pela eutanásia? Quem vê de fora, analisa, imagina o "e se fosse comigo"? Quem tem a distância suficiente para opinião de forma fria e objectiva? Quem passa por isso, quem tem que, efectivamente, tomar a decisão mesmo não o querendo fazer?

Já tive tantas certezas e tenho tantas dúvidas agora.

Nunca sei se a ignorância é uma bênção ou se é apenas muito atrevida.

 

publicado às 12:53

RIP tons de cinza

Parece que os vários tons de cinzento estão mesmo fora de moda. Não me parece nada bem.

Sempre gostei várias cores. E de vários tons dentro da mesma cor. Mas actualmente parece que apenas estão na moda o preto e o branco. Não há misturas. 

O mundo está ficar sem tonalidades diferentes. 

A todo o mundo temos que decidir: estamos contra ou a favor? Branco ou preto? Se a maioria (ou a maioria que está mais perto de nós) defende o preto então temos que ter cuidado: defender o cinzento escuro é já um crime de "lesa pátria" e é basicamente o equivalente a dar o corpo às balas. O melhor nesse caso é prepara a armadura e partir para a guerra porque os ataques vão começar.

Pensar e ter uma opinião ligeiramente diferente é cada vez mais perigoso. 

Eu tenho sempre este problema: gosto do cinzento.

Acho que até as pessoas de quem não gosto podem e têm opiniões com as quais concordo, sabem coisas que eu não sei e me podem ensinar. Apesar de eu não gostar especialmente delas, nem as achar boas pessoas.

E as pessoas de quem gosto podem e têm opiniões com as quais não concordo.

É verdade que as pessoas de quem gosto têm valores muito parecidos com os meus mas (surpresa das surpresas) nem sempre os defendem da mesma forma que eu.

Mas uma coisa é certa: as pessoas de quem gosto aceitam que eu, às vezes, não tenha a mesma opinião, não seja tão entusiasta da mesma luta, não me prenuncie da mesma forma sobre o mesmo assunto. É que se há coisa que não suporto em alguém é que esse alguém veja o mundo em apenas duas cores: branco e preto.

publicado às 18:52

Palavras

É recorrentes, nas redes sociais, a discussão do "piropo", da sua utilização e (possível) criminalização. Não me dou ao trabalho de me meter em tais conversa (são, na maioria das vezes "conversas de surdos") mas, no outro dia, achei divertido ir assistindo a uma delas. Eram dois homens, um que dizia que um piropo tinha o objectivo de elogiar (e obviamente dava dois ou três exemplos de piropos inócuos e fofinho), o outro dizer que nenhuma mulher gostava de ouvir qualquer piropo, por mais fofinho que fosse, porque isso era uma intrusão no seu espaço pessoal. (podem imaginar como a conversa evoluiu, escalando para níveis ridículos)

Fiquei ali, a assistir à conversa e a pensar que ambos tinham e não tinham razão (e que nenhum deles ia aceitar tal coisa). É muito difícil explicar que na história do "piropo" contam mais as intenções que as próprias palavras. Claro que não estou a desvalorizar as palavras, há coisas que não são aceitáveis entre desconhecidos ou simplesmente conhecidos e que ditas a crianças são absolutamente revoltantes. As mesmas palavras, um piropo fofinho e inócuo dito com intenção de magoar, de diminuir, de humilhar vai fazê-lo em 99% dos casos.  O mesmo piropo fofinho e inócuo dito com intenção de elogiar e de mimar vai ,em 99% dos casos, originar pelo menos um sorriso.

Mas é quase impossível criminalizar a intenção, porque as palavras retiradas de contexto, retiradas do que se intui atrás das palavras, são meras palavras, que podem ser interpretadas consoante a intenção do leitor que, em 99% dos casos, a irá interpretar consoante a sua própria consciência e opinião sobre o assunto.

publicado às 16:55

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