Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Rabiscos Soltos

Esta cidade não é para fracos... de pernas.

23.10.19 | P.

Transportar alguém com mobilidade reduzida é um desafio. Em Lisboa significa não poder usar transportes públicos. O metro, com todas as suas escadas, tantas vezes sem funcionarem e transformado numa selva onde impera a lei do mais rápido, não é para fracos das pernas. Os autocarros com degraus altos são interditos a quem não consegue saltitar. Resta-nos o carro ou os uber/taxi desta vida.

O carro é outro desafio. A logística de ter que deixar alguém à porta de algo, ir estacionar, voltar não é, muitas vezes, uma opção. E não fica barato. A decisão entre táxi e uber é simples tendo em conta que preciso que nos apanhem onde deixo o carro, que estar de pé à espera que passe um táxi não é opção e que andar até uma paragem de táxi pode tornar-se num pesadelo quando temos alguém ao nosso lado cheio de dores.

Optei pelo uber. Funciona lindamente, os condutores são bastante educados e simpáticos (com excepção para o energúmeno que achou uma boa ideia "apreciar" uma outra condutora) mas tem um problema: os condutores não conhecem Lisboa. E os GPS desta vida nem sempre são a melhor opção...

Por mais de uma vez, vi-me a dar indicações antes de ir parar sei lá onde - e quem me conhece, sabe o quão isto é perigoso porque o meu sentido de orientação é...vá, inexistente! 

Claro que nem tudo é mau. Um dos últimos condutores que deu a volta a Lisboa para me levar para o destino aproveitou para me contar a sua história de vida - e caraças, que história. Gostei de ouvir e espero que consiga atingir os seus objectivos todos.

Contradições

22.10.19 | P.

É oficial. As pessoas não prestam. Nada de novo, eu sei, apenas constato o óbvio, uma e outra vez.

Aos outros, exigimos rectidão mas as regras para nós são sempre um pouco flexíveis... Há sempre uma desculpa para tentar evitar aquela multa, há sempre aquele alegria(zinha) quando não pagamos aquele imposto.

Somos, enquanto humanidade, capazes de grandes gestos e somos, enquanto pessoas, capazes de pequenas atitudes, daquelas que nos tornam menores.

diários

21.10.19 | P.

Gostava de ser daquele género de pessoa com a disciplina necessária para escrever um diário. Não sou. Sei-o desde que me conheço por gente "escrevedora". Acho maravilhosa a ideia de transformar angústias, medos e esperanças em palavras. Acho bonita a ideia de, todos os dias, encontrar algo para escrever.

Mas os medos, tento esquecê-los e acho que escrevê-los é dar-lhes corpo, vida. E não me parece uma boa ideia. Tenho a tendência a distrair-me e esquecer-me das minhas próprias angústias. E ultimamente tenho algum medo de ter esperança, pelo que também prefiro não pensar muito nisso. 

E devo dizer-vos que detesto aquelas pessoas que conseguem olhar para o seu dia e ver a "beleza de um momento" ou que são capazes de descobrir a beleza de um nascer do sol.

Por tudo isto nunca fui capaz do exercício de escrever um diário. Crescer não mudou isso. Oh well, mais uma coisa para tentar na reforma.

Preguiça de domingo à noite

20.10.19 | P.

Gosto destes finais de tarde de domingo, com noite lá fora e ainda umas horas para preguiçar.

No Outono, nestes dias pequenos, deixa de haver a pressão para aproveitar a tarde na rua e o sofá e uma manta são perfeitos companheiros. Juntar-lhes um gato, que já está em modo de inverno, e tenho uma tarde perfeita. 

E para a semana, a hora de inverno! Adoro. 

 

As mulheres, essas cabras...

17.10.19 | P.

Ontem, li a seguinte pérola no Twitter:

"as mulheres juntas sem homens por perto são terríveis sei por longa experiência profissional. Uma equipa jamais pode ser constituída só por mulheres. Esta é uma verdade absoluta que deveria ser ensinada na 1º aula de qq curso de gestão. Vivem em permanente competição."
E continuada "E a competição entre mulheres é altamente tóxica sem princípios tipo luta livre vale tudo"

"As mulheres sem homens" não se controlam. São "terríveis". E sei-o porque eu, homem, tenho uma "longa experiência profissional", ptto podem acreditar em mim. "Uma equipa JAMAIS pode ser constituída só por mulheres"  e isto é uma "verdade ABSOLUTA" que deveria ser ensinada e inscrita na constituição. 

Quem pode imaginar que uma equipa de mulheres consiga trabalhar sem se esgadanhar, sem competir até à morte numa luta tóxica? É melhor separá-las e pôr uns homens com a trela para as manter sob controlo e satisfeitas.

 

 

Mas quem nunca disse ou ouviu um "As mulheres são umas cabras umas com as outras" ?

De tantas vezes repetida, também ou até principalmente, por mulheres, esta frase ganhou estatuto de verdade, de banalidade.

"ui, trabalhas só com mulheres? coitada/o"

"eu gosto é de trabalhar com homens, as mulheres são umas cobras umas para as outras"

O homem é competitivo, leal e isso é, não apenas uma qualidade, mas uma característica. Já a mulher, se é competitiva é porque é uma cabra, mal amada e mal fodida, já se sabe.

Não, claro que não faz nenhum sentido clamar por igualdade no Portugal de 2019. Nenhum.