Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Rabiscos Soltos

#FIquemEmCasa Em tempos de isolamento social um blog pode ser uma janela para mundo. Fiquem em casa. Leiam. Escrevam. Ajudem. Sejam melhores. Sejam maiores. Mas fiquem em casa.

Rabiscos Soltos

#FIquemEmCasa Em tempos de isolamento social um blog pode ser uma janela para mundo. Fiquem em casa. Leiam. Escrevam. Ajudem. Sejam melhores. Sejam maiores. Mas fiquem em casa.

Definitivamente o meu gato não joga com o baralho completo

09.02.17, P.

Pela primeira vez* (em quase quatro anos de existência) o meu gato ficou doente. Ora um gato normal, quando fica doente, fica quieto, a um canto, sem vontade de brincar, com "ar doente". Mas o meu gato? O meu gato, não. O meu gato tem que ser diferente. O meu gato quanto fica doente fica com mais energia do que nunca, reclama do mundo inteiro (tipo velho dos marretas), mia desalmadamente, resmunga, morde e só sossega quando está ao colo, aninhado nas minhas pernas. O normal, ptto, mas com uma boa dose de mau comportamento. Passámos 3 dias a ameaçá-lo que era desta que ia à faca, que estava fora de questão aturá-lo assim, pensando (como seria normal) que era tudo uma questão de hormonas, que alguma das gatas do prédio estaria com o cio e que isto não era mais do que o "Janeiro". Mas afinal comeu qualquer coisa que lhe fez mal e andava aflito, tadito. Entretanto já voltou ao normal e é, novamente, o gato que me deixa dormir a noite inteira. Safou-se da faca mais uma vez.

 

*acho que foi a primeira vez mas talvez alguma das fases passadas de loucura também tivessem outro significado

information is everything

08.02.17, P.

E a comichão que dá nas pontas dos dedos quando um um assunto que dominamos vira assunto da moda e subitamente toda a gente se acha informada ou com conhecimento de causa para dar palpites?

A sério, começo a hiperventilar e depois tenho que me lembrar que o melhor é fechar a matraca e que para todos os efeitos sou aquela pessoa que só se interessa por livros e demais coisas sem interesse e esquecer que sei o que sei porque na verdade, mesmo que não existem contratos de confidencialidade (que os há e nunca quebrei nenhum), não tenho a menor paciência para elucidar gente que, achando que sabe tudo, só diz é merda....

pronto, já desabafei. vou dormir, até amanhã

A teoria e prática

07.02.17, P.

Acho sempre divertidíssimas as discussões acerca dos horários de trabalho. E não pensem que vou dissertar acerca das alterações das 40 para as 35 e vice-versa. Nada disso. 

Para mim, teoricamente, as horários são para cumprir. As horas de entrada têm que ser cumpridas. As pausas a meio do dia - fundamentais para a sanidade mental e produtividade - são pausas breves, para beber um café ou fumar um cigarro, para fazer aquele telefonema importante que não nos deixa concentrar no que estamos a fazer. Mas o fundamental é que sejam breves - conta, peso e medida. E depois, a loucura: as horas de saída também são para cumprir. O horário pessoal, familiar, é fundamental para o equilibrio. Não confio naquelas pessoas que têm muito orgulho em trabalhar 12 horas por dia (e desprezo as que defendem horários de trabalho de 60 horas) como se isso fosse uma enorme qualidade. 

A verdade é que trabalhar 12 horas por dia tem duas leituras: ou a pessoa não está a fazer o trabalho certo para si, não tem capacidade para tal ou tem mais trabalho que devia ter. Se é o segundo caso, eu compreendo que toda a gente passa por fases em que há necessidade de trabalhar mais umas horas mas isso tem que ser uma expecção, não uma regra.

Posto isso, na prática: ando com trabalho até às orelhas, não sei para que lado me hei-de virar e estou a rezar a todos santinhos paraque esta fase passe depressa antes que a minha sanidade mental apanhe um avião e vá de férias.

 

O dia depois de ontem

02.02.17, P.

Não dá para vos explicar o que foi o meu dia ontem. Claro que podia ter sido pior. Podia ter partido uma perna, podia ter descoberto uma doença grave, podia ter morrido. Ou pior, qualquer uma destas coisas podia ter acontecido a um dos meus.  Não, não foi nada desse género. Mas foi tudo o resto. A sério, nem as via chegar. A coisa tomou proporções rídiculas e quando nos fomos deitar já nos dava vontade de rir e constatavamos que somos uns sortudos, é verdade, que acabamos por ter uma vida santa no fim mas que tudo tem que ser difícil, moroso, que já não nos lembramos de ter uma semana sem uma qualquer preocupação e que o maior problema seja a casa estar suja ou o jantar por fazer. Enfim. 

Claro que qdo o despertador tocou às 06h30 da manhã de hoje nem capacidade para praguejar eu tinha (e acreditem que tenho uma enorma capacidade para tal), de tal forma que pela primeira vez, limitei-me a avisar quem de direito que só ia trabalhar no turno da tarde. Não tinha capacidade para mais. E com a consciência de que se me chateassem não ia de todo (abençoadas sejam, a resposta foi "ok, não te preocupes"), que mamãe sempre me ensinou que a assiduídade e a pontualidade são obrigação mas que as faltas existem para serem dados quando é preciso.

os cães ladram e a caravana passa

01.02.17, P.

O que me deixa mais triste e sem esperança no futuro é que, depois do primeiro choque, os dramas pessoais vão ser relegados para segundo plano. A empatia, a solidariedade, a caridade, a partilha vão valores velhos que nunca se tornarão vintage porque o ser humano está a deixar de ter capacidade para os sentir. Os miúdos são educados para vencerem a qualquer custo, para serem os melhores sem importar quem têm de atropelar. A competitividade é um valor respeitado. O valor é medido pela conta bancária, a educação privilegia o conhecimento teórico, as escolhas têm muros e portas fechadas. As nossas casas têm muros e portas fechadas. Cada vez mais a sociedade está estratificada, dividida por classes. Os ricos brincam com os ricos, os pobres brincam na lama, os remediados brincam virtualmente com consolas e computadores. Os adultos fazem o mesmo, as amizades tornaram-se em muitos casos "contactos" e guardam-se os números de telefone de quem "nos pode dar jeito no futuro". As pessoas tornam-se números e uma outra moda, um outro senhor laranja vai fazer esquecer o escândalo do momento. 

Ptto ou a coisa dá raia em termos económicos (onde dói mesmo é na carteira, o resto são cantigas)  ou vai ser um caso de "os cães ladram e caravana passa". 

Quero muito, muito enganar-me.

Pág. 2/2