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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

Não querem saber, pois não?

A todos os que reviram os olhos quando digo que "gosto de chuva",

 

Caríssimos, 

Soubésseis vós o que é acordar com dor de cabeça e assim continuar todas as horas, minutos e segundos do dia...

Soubésseis vós que estas horas se parecem multiplicar, esticar e tornar-se eternas enquanto aquela dor que começa por ser uma moinha irritante se avoluma, cresce e às tantas parece uma ceifeira debulhadora a dar-me cabo dos neurónios, que, infelizes, entram em greve e me fazem sentir burra...

Soubésseis vós o quanto, nestes dias, o sol me agride, me faz sentir que os olhos vão saltar das órbitas tal qual um boneco animado...

Soubésseis vós o quanto as putas das alergias me incomodam e tornam infeliz...

Soubésseis vós isso e provavelmente continuariam a revirar os olhinhos quando eu digo que gosto de chuva, continuavam a chorar por sol e primavera o ano inteiro.

E eu, depois de 3 dias disto, só consigo dizer, inverno, volta, por favor.

E antes que me digam: "anti-histamínicos" eu digo já que esses que comprimidos dos céus me dão um sono terrível, incapacitante e que é absolutamente impossível tomar algum durante o dia. Mas assim que chegar a casa tomo 1, aterro no sofá e morro para o mundo até amanhã.

Hoje está especialmente mau.

Espero que me compreendam um bocadinho melhor agora,

P.

 

ah e tal, dia da Liberdade

E feriado. E está um dia de Verão. Logo à noite as reportagens vão ser todas de gente na praia e a laurear a pevide por aí.

Eu estou a trabalhar. E trabalhei mesmo muito. Tinha hoje 2 prazos e estão ambos cumpridos (considerando que o prazo era às 23:59, não me dei mal).

Isso é que é liberdade.

Tristeza rima com fado

Acho que já cresci o suficiente para gostar de fado. Não sou grande conhecedora e, talvez porque comecei tarde a gostar de fado, gosto mais dos fadistas da minha geração que dos outros. 

Na rádio passam os fados da moda, os fados que pouco cantam o destino, fados alegres, divertidos e eu até gosto. Mas a verdade é que tristeza rima com fado e sem tristeza não há fado. E acabo sempre por voltar ao meu fado favorito.

Havia a solidão da prece no olhar triste
Como se os seus olhos fossem as portas do pranto

 

Palavras

As palavras são só palavras, excepto às vezes em que deixam de ser só palavras e se tornam outra coisa qualquer.

As palavras que eram só palavras e nas bocas de uns se tornam insultos, armas ou pedras, começam a carregar um peso que não têm, que nunca tiveram e que não deveriam ter. 

E o problema é que, às tantas, para não usarmos palavras que se tornaram armas nas bocas de outros, deixamos de usar essas palavras, limitamos a nossa capacidade de comunicação, distorcemos sentidos, intenções e ficamos com medo das palavras.

Eu não gosto de ter medo das palavras. Compreendo e fico maravilhada com o poder das palavras mas recuso-me a discriminá-las. Recuso-me a limitar o meu mundo, porque o meu mundo de sonho é composto por palavras, por tantas palavras. E sei que cada uma dessas palavras tem o peso que lhe é atribuído por quem as diz, por quem as ouve. Por isso pauto a minha vida pelo peso que eu dou às palavras e não pelo peso que alguém, algures, decidiu que elas tinham.

Alienação de direitos

Ainda fico surpreendida quando me apercebo que há tanta gente, e gente supostamente informada, que não vê mal em expor em blogs e redes sociais as caras e personalidades dos filhos e pais. Crianças e adolescentes, pais e avós, que sem terem o direito de escolha têm os seus 0,5 microssegundos de pseudo-fama são expostos e virtualmente dissecados por amigos, leitores e afins. Não percebo as homenagens aos mortos (pf, deixem-me em paz e na companhia da bicharada quando eu morrer, tá?), os RIP* virtuais, os Parabéns virtuais a pessoas que nem sabem o que é o facebook. No dia da mãe vamos assistir mais uma vez (vamos  é como quem diz, que eu espero andar na folia nesse dia e nem sequer ligar a internet) à sucessão de fotos "mãezinha querida", sendo que a querida mãzinha de alguns estará sozinha em casa só com direito a um telefonema rápido.

Já eu assusto-me todos os dias com a facilidade com que o direito à privacidade e à individualidade nos é retirado ("mas se é a bem da segurança"**) e ainda mais com a facilidade com que nós oferecemos informações e dados pessoais. 

 

 * as siglas nos cemitérios fascinam-me -sim, sou uma pessoa estranha - e no outro dia passei imenso tempo até descobrir o que queria dizer PNAM numa lápide. Mas nada bate o "e o diabo o levou" que um dia encontrei.

**torno-me violenta se me dizem isto novamente

WIP

Primeiro o baque que me faz enrolar como se fosse um bicho de conta, depois a vontade de desistir, de retaliar, de espernear. Depois o silêncio. O cigarro à janela. Impressionante como se pensa melhor a fumar um cigarro à janela a meio da noite. Mas o melhor remédio é sempre trabalhar. Há dias em que fico feliz por ter um monte de coisas por fazer e ir despachando cenas do "post-it" como se não houvesse amanhã. E pensar que tudo na vida é "work in progress", seja ou não literal.

 

 

 

Cansaço

Começar a semana mais cansada do que acabei a anterior pode ser estranho mas acontece-me amiúde. A verdade é que estou presa por arames e os desgraçados começam a partir-se. Da última vez que me senti assim foi há mais ou menos 1 ano e, na altura, tirei 3 dias para dormir e ler - não fiz absolutamente mais nada nesses dias. Mas desta vez a coisa é mais difícil porque estou a começar um projeto que só terminará no dia 24 de Junho. Até é uma espécie de contrarrelógio que me vai obrigar a algum esforço adicional.

Na semana que passou estiquei a corda. Mesmo. E apercebi-me disso no sábado quando, às 18 horas, me apetecia esganar toda a gente, só queria ir deitar-me e esquecer-me que havia gente no mundo. E não podia. Não o pude fazer. Aguentei-me até que, ontem à noite, cheguei a minha casa. Aí, desabei no sofá.

Para já vou entrar em estágio: desligar telefone e computador impreterivelmente às 20h. Uma hora, no máximo, para me pôr a par das novidades antes do jantar e tentar passar o resto do tempo em silêncio. Deitar cedo e aproveitar para dormir. E ler. Ler é fundamental para o meu equilíbrio mental e a verdade é que não ando a conseguir fazê-lo. Comecei a ler o "Jonathan Strange e o Sr Norrel" há quase 2 meses e ainda não o acabei (é verdade que tem umas 900 páginas e vou quase na 700) apesar de estar a gostar imenso. 

 

Multifacetado

Sempre admirei os trabalhadores-estudantes, quem acumula empregos, quem tem tempo (e acima de tudo vontade) para ações de voluntariado.

Mas olhem que não sei como alguns aguentam. Assim de repente, ser administrador disto e daquilo, dono disto e daquilo e ainda fazer uns favores ao país onde vive? O dia do querido DLM é de quantas horas mesmo? Não é mocinho que durma? Anda a fugir da cara-metade, filhos e afins?

Mais do que saber quanto vai ganhar pelo contrato que vai fazer o favor de assinar (deve estar muito desesperado, coitado, para ir aceitar mais um trabalho) eu queria era saber qual o horário de trabalho deste contrato.

Terá 35 ou 40 horas semanais?

4 horas

foi o tempo que hoje, seguido, perdi entre  Skype e o Telefone. Cada vez que pensava que já não tinha nada pendente a merda do telefone tocava novamente. Skype, telefone e telemóvel. E nem sequer é o meu aniversário e não, não estou grávida (em tudo na minha vida a primeira pergunta é "mas estás grávida?")

Podemos voltar ao momento em que para falar com alguém tinha que ir à cabine telefónica mais perto e em que contava os impulsos gastos no cartão?

 

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