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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

Disclaimers aos molhos

O tema deste regresso é uma das razões pela qual este blog está quase morto. Não, não é a preguiça, que é obviamente a razão principal para não escrever, nem a falta de tema, apesar de nem sempre poder desabafar por aqui como gostaria (mania da privacidade, confidencialidade a que o meu trabalho obriga e que me inibe de falar sobre as coisas de que realmente sei). O tema deste post é esta obrigação de fazermos declarações de intenção a torto e a direito.

Sim, as palavras são importantes. Eu sou uma leitora, adoro palavras, textos, frases, ideias que saltam para uma frase, imagens que surgem de um texto. Eu sou bastante sensível a determinados temas, tenho bastante cuidado para não ofender ninguém mas, porra, estamos a passar os limites do razoável.

 

Ignorar o espírito das palavras, levando-as à letra sempre é muito estúpido.

Talvez tenha muito a ver com a substituição da interacção "cara a cara" com os outros para uma interacção virtual. Hoje em dia dependemos de bonequinhos para "revirar os olhos", temos que dizer que aquilo que dissemos era ironia (o que, convenhamos, tira todo o sentido à coisa).

 

Ter que explicar uma piada é triste. Muito triste. 

E ter que, antes de dar uma opinião ou fazer uma crítica ou um elogia, explicar que a nossa ideologia política é aquela, que acreditamos nisto ou naquilo, que gostamos de amarelo ou roxo, que somos simpatizantes de determinado clube de futebol, desgasta-nos, é estúpido e não faz nenhum sentido.

Caramba, pá, esta mania de, através das palavras, encaixarmo-nos (e encaixarem-nos) em compartimentos estanques é uma tristeza e um perigo.

E está tudo a tornar-se ridículo. Uma opinião fundamentada é irrelevante mas uma parvoíce e dissecada até à eternidade. E para dizermos uma parvoíce qualquer temos que fazer milhares de disclaimers antes e ainda assim vai haver alguém que não vai (querer) perceber a ironia, a brincadeira, a tolice, o segundo ou terceiro sentido, a piada  e em vez de ignorar, vai sentir-se ofendido, ripostar, ofender, chamar os amigos e levar um (não) assunto até às últimas consequências.

A sério, às vezes, uma piada é só uma piada. Uma parvoíce é só uma parvoíce.  

 

publicado às 12:41

A hipocrisia das touradas

Esta mania de que as touradas são uma manifestação cultural e que, como tal, deve ser respeitada e preservada dá-me náuseas.

Vamos ser claros: as touradas são um espectáculo que apela ao mais violento que temos e somos. As touradas estão ao nível das lutas de cães ou de outros animais, à tortura de animais pelo simples prazer de ver o ser humano a ganhar à besta. Admitamos isso e admitamos que gostamos disso. E defendamos isso. 

Embrulhar o que dá prazer aos nossos instintos animalescos e apresentar isso como um espectáculo cultural é, no mínimo, intelectualmente desonesto. 

Em vez de defender que as touradas são (quase) uma forma de respeitar os nosso antepassados e cultura histórica admitamos que é tudo uma questão de intintos animalescos e dinheiro.

 

 

 

publicado às 14:10

cenas da vida moderna

Não és feminista, és feminazi

Se não és por mim, és contra mim

Se não pensas como eu, estás errada

Se defendes os animais... então e as crianças?

Se defendes as crianças... então e os velhos?

Se condenas uma acção dos EUA... então mas nunca falaste do bangladesh?

Se és contra a tourada... então e a tradição? E as crianças?

Se partilhas uma notícia que foi divulgada num jornal respeitável... és burra porque acreditas nos media tradicionais e eu é que sei

Não interessa se falas do que sabes... há sempre quem nem sequer seja da área mas seja, obviamente, especialista

Se dizes uma parvoíce qualquer ... mata-te (sim, é uma das respostas da moda)

Se ousas pedir dados para te informar mais... és estúpida porque a tua opinião devia ser a minha, sem questões ou estás errada

...

...

É cansativo viver em 2018!

 

publicado às 17:03

Eutanásia

Vão ser discutidas na próxima semana várias propostas sobre a despenalização da eutanásia e o tema anda a causar furor nas redes sociais e igrejas. Mas como (quase) tudo o que causa furor nas redes sociais (e igrejas) a desinformação é igual ou superior à informação. E este processo de tentativa de aprovação de uma matéria tão importante tem sido o maior exemplo de desorganização deste país à beira mar plantado.

Um tema complexo, importante e com consequências tão importantes como este e está a ser tratado às 3 pancadas, com uma tentativa de vitória na secretaria. Lamento, isto é coisa que não perdoo aos deputados.

Se querem uma declaração de intenções dou-a com clareza: eu sou a favor da eutanásia. Espero ter um dia a hipótese de escolher o momento em que linha vermelha da dignidade mínima da vida foi ultrapassada e gostava de poder tomar essa decisão dentro da lei (até para não ter que ser tomada cedo demais).

Mas tenho muitas dúvidas. Tenho dúvidas acerca da formulação da lei, tenho dúvidas e mais dúvidas e não as vi esclarecidas. Não houve, nem de perto nem de longe, informação suficiente, debate suficiente, exaustivo. Não houve ponderação do país, das pessoas. Eu compreendo perfeitamente que esta matéria não seja levada a referendo – é que em referendo perdia liminarmente - lembram-se de lá em cima eu falar da igreja? A Igreja está a dar toda a informação e a fazer uma campanha contra a eutanásia de se lhe tirar o chapéu. E o CDS (para este efeito vou chamar-lhe uma espécie de braço político da igreja) também. Uma campanha sistemática e organizada.

E os defensores da eutanásia o que fazem? Declarações de interesse nas redes sociais. Não promovem o debate porque basta alguém ter a audácia de ter uma dúvida para ser imediatamente julgado e condenado – como se as dúvidas não fossem legítimas e importantes para chegar ao melhor resultado possível.

Um tema como este, que tem repercussões no âmago da sociedade em geral e em cada vida individual, e não está a ser discutido. Está a ser usado como arma política, religiosa.

Eu estou convencida que os projectos de lei não vão ser aprovados no parlamento. E isso preocupa-me. Se forem aprovados, será por unha negra e isso também me preocupa porque vão ser vetados pelo PR. Não sei se a sociedade está preparada para ter esta discussão. Mas sei que a sociedade não está preparada para tudo o que está a acontecer neste momento em relação a este tema (e a todos os temas que estão directamente relacionados com ela como cuidados paliativos, doenças crónicas, velhice, morte). E isso preocupa-me muito. Porque enfiar a cabeça na areia não ajuda ninguém.

publicado às 17:57

Perdoar é fácil. Difícil é o resto.

Mais difícil que pedir desculpas, muito mais difícil que perdoar é pedir ajuda. Não é a da pedinchice quando nos dá jeito ter o amigo médico que desenrasque uma receita para aquele medicamento urgente que acabou ou quando pedimos ajuda ao informático do grupo. Falo daquela ajuda mais básica e mais importante. Daquele "preciso de ti", daquele "preciso de um abraço". É difícil pedir ajuda e é difícil perceber quando os outros precisam de ajuda. É difícil perceber quando o silêncio significa apenas silêncio ou é um grito calado. Talvez seja tão difícil pedir ajuda como dá-la. Perdoar? Perdoar é fácil. Difícil é o resto.

publicado às 18:35

sorriso

Não sei sorrir. É verdade. O meu sorriso é mais um esgar manhoso que um sorriso bonito. Não se é por nunca ter aprendido, não sei se se pode aprender a sorrir. Desconfio que não, quero crer que não, que é uma coisa física porque se é de aprendizagem, e eu nunca aprendi, fico um bocado irritada. O resultado é que nas fotos fico sempre mal, com ar que quem está super infeliz mesmo que transborde felicidade – infelizmente, não sei para onde ela vai mas para as fotos não é de certeza. Talvez seja por esta minha incapacidade que reparo tanto nos sorrisos dos outros. Talvez seja por isto que me apaixono pelos sorrisos dos outros. Talvez seja por isso que gosto tanto dos sorrisos verdadeiros. Daqueles que chegam aos olhos, que quebram corações. Lá em casa temos uma guerra antiga por causa dos sorrisos das fotos: ele quer que eu sorria, eu quero que ele faça “aquele” sorriso. Não me chega um sorriso qualquer. Quero aquele. O meu sorriso, o sorriso traquinas que me deixa em paz.

Às vezes, como hoje, vejo uma foto de uma amiga ou de um amigo e lá está um destes sorrisos. Diferente do que está em todas as outras fotos. Ou pelo menos assim me parece, diferente. E nesse dia nem preciso perguntar: “estás bem?”.

publicado às 14:20

Vergonha, assombro, espanto, respeito!

A banalidade com que se pega numa arma e se tira uma vida deixa-me estarrecida. O respeito pela vida nunca foi grande coisa ao longo da história da humanidade mas era suposto que tivéssemos evoluído. Os factos são gritantes. Não só não evoluímos como nem sequer estagnámos. A facilidade com que despersonalizamos os outros, nos sentimos superiores e como tal, sancionamos a sua morte, o seu extermínio é impressionante. 

Para o bem e para o mal, os Estados Unidos da América são o nosso espelho. E são aquele de quem esperamos os piores exemplos. Por isso, o movimento encabeçado por miúdos que se recusam a ser apenas vítimas da violência são um sinal para todo o mundo.

Estes miúdos dão-me esperança para o futuro. Num mundo em que os adultos lhes falharam, que está minado por corrupção e displicência,que está nas mãos de grupos cujos interesses colidem com a própria definição de humanidade, decidiram agarrar no futuro com as próprias mãos. 

Vejo tantos olhá-los com orgulho. Eu sinceramente não consigo olhar para eles com orgulho porque isso quase implica que eles são o resultado do nosso trabalho. Não são. São o resultado de uma degradação a que nós deixámos o mundo chegar. Eu olho para eles com vergonha, assombro, espanto, respeito.

Vergonha, porque deixámos, com as nossas acções ou as nossas inacções, o mundo chegar a este ponto. Assombro, porque fico maravilhada por miúdos terem a coragem de gritar contra o poder instituído. Espanto, pela forma como conseguem mobilizar. Respeito, por transformarem a dor, o sofrimento, em poder. E por usarem esse poder para algo positivo. 

E medo. Medo que tento afastar da mente. Medo deles não conseguirem ganhar. Medo deles se deixarem consumir. Medo deles se transformarem naquilo contra o qual lutam. Mas ainda assim com esperança. E confiança. Confiança na sua convicção, na sua coragem. Que eles triunfem e transformem o mundo num lugar mais digno. 

 

publicado às 10:44

“Não consigo compreender porque estás no Facebook”

O tema está na ordem do dia, parece que toda a gente acordou agora para os malefícios das redes sociais e foi com esta frase, não consigo perceber porque estás no Facebook, que a conversa começou.

Não vou discorrer sobre partilha de dados, sobre notícias falsas ou manipulação de dados e pessoas.  Vou falar um bocadinho sobre solidão.

Não me lixem, as redes sociais alimentam-se de solidão. Da solidão encapotada dos dias de hoje. É por isso que eu, que todos nós, estamos nas redes sociais.

É verdade que nas redes sociais fazemos amigos e que esses amigos saltam para a nossa vida. É verdade que as redes sociais têm imensas qualidades, permitem-nos ter acesso rápido a pessoas e conteúdos, a informação é-nos dada de bandeja, sem esforço ou limite. Para cada ponto negativo atribuído a uma rede social, eu arranjo-vos um positivo. E o contrário é também verdade.

Mas no final só vejo uma razão pela qual as redes sociais continuam e continuarão a proliferar: as redes sociais espantam a solidão e criam a ilusão de partilha, de amizade, de companheirismo.

Numa sociedade sem tempo útil, onde o perto se fez longe pelas vidas, onde cada vez é mais difícil combinar um café (apesar de termos todos carros à porta e haver esplanadas por todo o lado), onde é cada vez mais raro pegar no telefone só para conversar (apesar das chamadas serem de borla e todos termos um telefone connosco 24/7) ou enviar uma carta só porque sim (apesar do email ter tornado instantâneo essa comunicação) é através das redes sociais que a ilusão de “companhia” se faz.

Virtualmente temos centenas de amigos, milhares de conhecidos. Virtualmente “seguir” alguém deixou de ser considerado voyeurism para se tornar simpatia. As redes sociais permitiram que nos tornássemos naquilo que queremos ser: simpáticos, fofinhos, bullys, corajosos, sábios. Os likes e afins permitiram que nos sentíssemos aceites. E “pertencer” é tudo aquilo que a maioria de nós sempre quis.

Quando eu era miúda tinha o meu grupo de amigos, passava horas ao telefone (até que alguém cortava a chamada), sofria com a ausência, brincava na rua. Na adolescência passava o tempo no café, ficava na rua a conversar até sermos chamados para jantar.

O tempo, a segurança e tudo o mais que é prioritário impede que este contacto pessoal, tão importante, seja possível hoje em dia. E as redes sociais dão-nos uma falsa sensação de que isto ainda acontece.

Sim, o Facebook e as restantes redes sociais aproximam-nos dos outros.

Mas a verdadeira razão para que tanta gente se mantenha nas redes sociais é o medo que a ausência nos torne invisíveis. Que a falta da nossa presença nos faça cair no esquecimento e que descubramos que a maioria dos nossos amigos, tão presente, não o é assim tanto.

Afinal, quando foi a última vez que o vosso telefone tocou e era apenas um amigo a querer jogar conversa fora? Quando foi a última vez que a campainha da vossa porta tocou porque um amigo resolveu visitar-vos sem avisar e vos dar tempo de limpar a casa? Quantos dos vossos amigos já foram à vossa casa? Quando foi a última vez que foram ao café e se sentaram na mesa do costume, com as pessoas do costume? Quando foi a última vez que a vossa gargalhada foi ouvida em vez de lida, foi real em vez de LOL?

Este é o verdadeiro poder das redes sociais: o alimentarem-se da solidão para que nós não sejamos absolvidos e vencidos por ela.

E isso é simplesmente triste.

publicado às 12:36

Avulso

  • Tentei ver os Prós e Contras sobre a possibilidade de deixar entrar animais em restaurantes. Digo tentei porque não tive estômago ou nervos para aquilo. Daquele bocadinho fico com a certeza que uma discussão está viciada quando o moderador é obviamente parcial, que o pessoal que estava a defender o SIM tem nervos de aço e paciência de job e que o lado do NÃO não foi ali esgrimir argumentos, foram tentar humilhar e ridicularizar os outros e acabaram a fazer uma triste figura. 
  • Ainda sobre os PeC fica a resposta ao eterno "não humanizemos os animais" : "não infantilizemos os portugueses"
  • E só para acabar com os PeC, a quem ficou muito chocado quando o humorista referiu que os gatos comem as baratas devo dizer que a última vez que vi uma barata dentro de um café foi dentro de um croissant e que o empregado não ficou minimamente preocupado.
  • Já não suporto futebol. Os debates, as guerras, as discussões, os insultos. NOJO
  • Tento não pensar muito na questão Síria. Não sei como ajudar, não sei o que fazer e partilhar frases feitas dizendo que não se fala o suficiente no assunto (ficando assim de consciência tranquila) não é para mim. O que eu queria mesmo era saber que a forma certa de ajudar é contribuir para a Cruz Vermelha ou se há alguma associação humanitária que está a conseguir lá chegar.
  • Não é que tivesse esperança que o AG conseguisse mudar a minha opinião sobre a ONU mas... a desilusão tem sido grande mesmo assim.
  • Vem aí o dia internacional da mulher e vejo-me sem a menor vontade de falar sequer no assunto. Sinto uma regressão tão grande na sociedade em relação e este e outros assuntos que começo a fazer minha a frase da Mafaldinha:

 

Parem o Mundo que quero sair

publicado às 17:38

Ai Portugal, Portugal

Ai, Portugal, Portugal 
De que é que tu estás à espera? 
Tens um pé numa galera 
E outro no fundo do mar 
Ai, Portugal, Portugal 
Enquanto ficares à espera 
Ninguém te pode ajudar

 

Por acaso (talvez não por acaso) gosto muito das letras do Palma (mas aquele DVD do Só, Oh amigo, que raio foi aquilo? e um concerto tão bom, sei-o eu que estive lá). Mas não é do Palma que quero falar mas do país do Palma. Deste país que está sempre à espera de qualquer coisa, com um pé numa galera e outro no fundo mar.

Uma das coisas que mais me irrita é esta fatalidade que temos e esta mania de sermos treinadores de bancada, de não nos responsabilizarmos por coisa de nenhuma e, obviamente, sabermos sempre o que os outros fazem de mal (mas nós nunca, nós nunca, são os outros).

Qdo pus no facebook o texto que escrevi acerca da entrada dos animais numa restaurante (é o post anterior a este, se quiserem ler) tive, como já esperava, algumas lições de moral. Podiam ter-me dito que não concordavam e pronto, que não iriam ao dito restaurante porque não concordavam com tal e estava a coisa arrumada. Mas Português que é Português não concorda com isso porque os outros portugueses são pessoas de fraca educação e nenhum civismo e vai tudo ser uma rebaldaria, vão voar pêlos, garfos e copos, vão haver lutas e mijadelas pelo ar e pelo chão. Vai ser o terror porque os Portugueses são todos uns porcos.

Da mesma forma, acho sempre imensa piada quando se fala de horários laborais: os portugueses adoram fingir que trabalham, ficar até tarde e não são nada produtivos. Se falarmos de quem fuma então, nem pensar, as pausas para fumar são a raiz de todos os males (mas as pausas para ir ao twitter ou ao facebook já não são, porque quem o faz está a pensar o mesmo tempo e o cérebro dos fumadores aparentemente pára de vez em quando). Claro que quem faz este género de comentário não se inclui nestes portugueses.

Aliás, nós nunca nos incluímos neste género de coisa (sim, eu tb o faço, às vezes) e temos a tendência para nos moldarmos aos defeitos num fatalismo que me irrita e que nos leva a não ser a mudança que queremos ver no mundo.

 

publicado às 16:42

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