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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

Com linguagem imprópria para gente sensível (zinha).

Há quem fique muito surpreendido quando me ouve a dizer palavrões mas isso é só porque não me conhece realmente bem. Na verdade sou um género de "camionista mental" que manda muita gente à merda (ou para outros sítios igualmente simpáticos) em pensamento e que, de uma forma mais ou menos silenciosa, usa muito expressão "puta que pariu". Se estou irritada, mas num dia bom, sai-me (ou penso) às vezes um "era dar-lhe com um gato morto nas trombas até o desgraçado miar" (o gato, não a pessoa, obviamente, que o género de pessoa a quem digo isto não fala gatês). Deixei de usar a expressão "era marrar de frente com um comboio" porque comecei a sentir-me culpada pela violência da imagem e porque geralmente a usava em estados emocionais em que era muito complicado explicar a alguém a diferença entre ser ou não literal sem a insultar mais um bocadinho.

Ora, isto interessa para quê? Nada, claro, excepto que há dias, como hoje, em que o único alívio possível é um sonoro Foda-se (por favor nunca escrevam fodasse, perde toda a credibilidade e sonoridade) ou escrever assim de rajada uma parvoíce qualquer. 

publicado às 17:40

Solteiros contra Casados

Confesso que pensei chamar a este post "GALP, BP ou CEPSA" ou "EDP vs Endesa" mas preferi usar uma expressão divertida, que me deixa de bem com a vida e que me faz lembrar um célebre jogo de futebol onde, às páginas tantas  (leia-se "quase no final do jogo"), se reparou que o árbitro estava de chinelos e uma das equipas tinha um elemento a mais. Mas rimo-nos até nos doer a barriga, houve insultos qb (generalizou-se a private joke da aldeia de "solteiros, olé!") e ficou toda a gente amiga na mesma.

A verdade é que posso dizer que "detesto futebol". Continuo a divertir-me imenso nos "solteiros contra casados" desta vida, acho que o desporto em si até é entusiasmante, até acho piada à atmosfera de união em redor da selecção nacional mas cada vez mais detesto o negócio do futebol (e que não sobre margem para dúvidas - isto não é nenhuma paixão para os envolvidos - é um negócio). O que me surpreende é a importância que tanta gente dá aos resultados destas empresas, o tempo que se perde a discutir o indiscutível, a ofensa que é alguém ser de outro clube ou dizer uma parvoíce qualquer em relação ao clube em questão.

Talvez eu não prestasse tanta atenção antes mas tenho a sensação que as coisas mudaram drasticamente nos últimos anos, que se saltou para um campeonato completamente diferente, que me preocupa e enoja.

publicado às 15:15

Uma estrelinha no céu

Eu compreendo que se explique às crianças a morte de uma maneira algo romântica como "a avó agora é uma estrelinha no céu". Não concordo mas compreendo. 

Agora homens e mulheres adultos a escreverem no facebook (e afins) "agora tenho mais uma estrelinha no céu a olhar por nós"? A sério? 

Tenho sempre a sensação de que estão a destinar aquelas pessoas ao Inferno (6º círculo, no inferno de Dante)

publicado às 19:56

Machismo ao contrário

Não sei qual é o contrário de machismo. Machismo é, por definição, a ideologia que defende que o homem é socialmente superior à Mulher. Ora, como feminismo não defende a superioridade da mulher em relação ao homem, então o feminismo Não é o contrário de machismo.

O que hoje li, num site que se assume como feminista e tem, efectivamente, tido um papel importante na luta pela igualdade de direitos, chocou-me. Não pelo conteúdo porque, apesar de não concordar e de me parecer uma imbecilidade, sou a favor da liberdade de expressão – independentemente do texto ser ou não um reflexo da minha opinião.

O que me chocou foi mesmo aquele texto ser publicado naquela plataforma por ser, do meu ponto de vista, tão discrepante dos valores que supostamente difundem. Aquele post mostra um bocadinho do que é o contrário do machismo. E eu sei que não feminismo.

Depois chocou-me a tentativa de demarcação, do grupo responsável pelo site, em relação ao conteúdo. Das duas uma, ou assumem que sancionaram o texto, aceitando o seu conteúdo e considerando-o relevante e de acordo com os valores que pretendem transmitir ou assumem que são uma plataforma de discussão de várias ideias e que é cada um por si – e aí não podem assumir que são uma plataforma feminista. E não o podem fazer porque este texto marcou um retrocesso na luta pela igualdade e destruiu a credibilidade que tinham.

O que me lixa é que passo boa parte do tempo a dizer que ser feminista não é ser contra os homens, é lutar pela igualdade de direitos, deveres e oportunidades de todos, Homens e Mulheres e agora tenho que ainda acrescentar que sim, sei que há quem se auto-denomine feminista e seja antes uma imbecil radical.

(e não há cá links nem publicidade para ninguém, se não sabem do que estou a falar, ignorem, ficam muito mais felizes)

publicado às 14:39

Urticária mental

Não sou das pessoas com o sentido de humor mais apurado. Não gosto de 90% das comédias, não tenho jeito para contar anedotas nem sou especialmente fã de tal (excepto de piadas secas - adoro) e o humor de que mais gosto é o negro. 

Mas se há coisa que me tira do sério é esta mania de que tudo é permitido ao humor e que eu também tenho que achar piada. Sim, defendo que estão à vontade para dizer todas as parvoíces e asneiradas com as quais eu não concordo mas não me venham com merdas e com a célebre "ai, que sensível, estava a brincar, não tens nenhum género de sentido de humor". Até porque chamarem-me "sensível" faz com que "veja tudo negro à minha frente" e tenha que fazer um mega esforço para me controlar o que se torna completamente incompatível com o sentido de humor.

O grande problema é que as piadas/textos/opiniões que antecedem esta frase são geralmente de teor misógino, homofóbico ou racista, que são coisas que geralmente me dão urticária mental.

Além disso acho absolutamente desonesto intelectualmente a falta de opção na reacção. É que ou achas piada e "és do grupo" ou estás tramada. Se ficas calada (por achares que toda a gente tem o direito de ser imbecil) és uma "enjoadinha que não acha piada a nada". Se respondes ou te começam a explicar que "és tão sensível, estava a brincar, não tens nenhum género de sentido de humor" ou embarcas numa discussão absolutamente surreal que acaba com um "és tão sensível, estava a brincar, não tens nenhum género de sentido de humor".

E sim, acabei de ler um texto absolutamente misógino mas foi escrito por um humorista. Se tivesse sido escrito por qualquer outra pessoa ainda era possível argumentar mas assim não vale a pena porque a ideia geral é que não se está a transmitir e propagar uma ideia misógina, está-se apenas a "fazer humor".

 

publicado às 15:08

Palavra, emoji ou simplesmente uma grande estupidez

O pessoal do Oxford Dictionaries decidiu considerar um emoji (uma imagem com um sorriso e lágrimas de alegria) como a palavra do Ano de 2015.

Não duvido que esta decisão tenha agradado a imensa gente que a vê como uma decisão visionária. Afinal a necessidade de comunicar de forma rápida e fácil é inegável. Num mundo em que estamos constantemente online e em que todos os outros estão online também, a única forma de conseguirmos dar atenção a todos de igual forma é fazê-lo de uma forma extremamente eficaz (ou corremos o risco de ser esquecidos – e toda a gente sabe que não existir num mundo virtual é não existir de todo) e os emoji dão uma ajuda imensa.

Acredito que ao legitimar este género de merdice colocando-o ao nível de “palavra do ano” (atribuído por uma instituição que inclui a palavra “OXFORD”) damos mais um passo na direção contrária à que deveríamos.

Um aparte para exemplificar o meu ponto de vista: No outro dia estive a ouvir (ou a ler, não me lembro das circunstâncias específicas) alguém a falar da inexistência de palavras na língua Árabe para falar de feminismo ou direitos das mulheres. Não é uma questão formal, é uma questão de simplesmente não existirem termos que permitam essa discussão. É interessante pensarmos nas consequências práticas da não existência de palavras…

Eu não tenho qualquer problema com os emoji (uso-os tanto como qualquer outra pessoa que utilize as redes sociais) e acredito que, às vezes (mas só às vezes) “uma imagem vale mais que mil palavras” mas acredito que considerar um boneco como palavra do ano é legitimar a limitação das emoções à meia dúzia de bonecos disponibilizados, é regredir no tempo (o desenvolvimento da língua nasceu da complexidade do que pretendemos transmitir) e que, a médio e a longo prazo, a consequência desta limitação na comunicação será até perigosa.

Poderia falar também no poder da palavra (inconsequente num emoji), na beleza de um poema ou da prosa poética ou na magia de um livro…  mas limito-me a deixar a definição de “Palavra”.

 

pa·la·vra
(latim parabola, -ae)

Substantivo feminino

  1. [Linguística] [Linguística] [Linguística] Unidade linguística com um significado, que pertence a uma classe gramatical, e corresponde na fala a um som ou conjunto de sons e na escrita a um sinal ou conjunto de sinais gráficos. = TERMO, VOCÁBULO
  2. Mensagem oral ou escrita (ex.: tenho que lhe dar uma palavra).
  3. Afirmação ou manifestação verbal.
  4. Permissão de falar (ex.: não me deram a palavra).
  5. Manifestação verbal de promessa ou compromisso (ex.: confiamos na sua palavra).
  6. Doutrina, ensinamento.
  7. Capacidade para falar ou discursar.

Interjeição

  1. Exclamação usada para exprimir convicção ou compromisso.


"Palavra", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/palavra [consultado em 23-11-2015].

 

publicado às 11:16

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