Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

da diferença entre liberdade de expressão e de acção

Hoje venho tentar pôr em palavras algo que me anda a incomodar um bocado e que tenho alguma dificuldade em expor de forma clara.

Comecemos este exercício por imaginar uma qualquer polémica (não é difícil, pois não?) que incendeia as redes sociais.

Das redes sociais, a coisa salta para a TV, da TV para todas as pessoas que, estando nas redes sociais, ainda não tinham comentado a questão.

Ora, como as redes sociais são um reflexo da sociedade (mas ainda mais reivindicativos) há nestas uma igual quota parte de gente parva.

Até aqui nada de estranho.  A globalização e a facilidade de informação faz com que pouco ou nada passe despercebido. É positivo que a sociedade civil tenha uma palavra a dizer e seja opinativa. O problema vem, na minha opinião, depois.

Começa a ser normal que as autoridades, seja sob a forma de associações, comissões, várias “autoridades”, assembleia da republica ou até o ministério público resolvam agir. A maioria destas acções são, ou parecem ser, precipitadas. Estas acções parecem ser consequência directa das reclamações da sociedade civil.

Depois é a loucura. Deixa de se discutir a questão e passa a discutir-se a força das redes sociais, a parvoíce das redes sociais, o poder das redes sociais. Passa a discutir-se a democracia (o que seria positivo se não fosse tantas vezes trágico). Põe-se em causa a legitimidade da emissão das opiniões e das reivindicações. Põe-se em causa a liberdade de expressão.

Ora, dando um passo atrás, eu não quero limitar a liberdade de expressão de ninguém. Eu quero ter a liberdade de me insurgir e de, no Twitter ou no Facebook, dizer meia dúzia de parvoíces, ser chamada à razão, ouvir outros argumentos, desabafar.

Eu não quero que, por causa das minhas opiniões infundadas, de leiga, sejam tomadas decisões imponderadas. Quero, enquanto membro da sociedade civil, contribuir para uma discussão, dar o meu contributo à democracia. Não quero ser parte do problema.

É importante que a opinião publica seja ouvida e levada em conta. É igualmente importante que quem toma decisões, o faça sem medos e sem constrangimentos e com base em factos e argumentos válidos.

Calar a turba não é, sequer, uma possibilidade válida hoje em dia. Ter medo dela, agir a “toque de caixa” ou às mãos dos utilizadores das redes sociais também não deveria ser.

Uma das consequências de tudo isto é que as opiniões ponderadas cada vez têm menos espaço nas redes sociais – e como tal nestas decisões de que falo -seja porque os ponderados cada vez se afastam mais, seja por não estarem na moda. Todos nós sabemos que não são as opiniões ponderadas que chegam longe, que são discutidas, rebatidas, comentadas. São as parvoíces, são os extremismos, que são aclamados, difundidos.  Aliás, as opiniões ponderadas são, na sua maioria, massacradas nas redes sociais que vivem do “ou és por mim ou contra mim”. Basta conhecer um bocadinho da essência das redes sociais para não as levar completamente a sério. São excelentes para estar dentro de todos os assuntos, mas é necessário um enorme trabalho de separação do trigo e do joio para dali retirar o que de positivo elas têm.

publicado às 11:27

Falemos de... liberdade de expressão

Confesso-vos, estou um bocado aterrorizada. Medinho, cagufa daquela séria. 

A verdade é que tenho visto muita gente, miúdos, jovens, adultos, homens, mulheres, de tudo um pouco, a defender limites à liberdade de expressão. E isso aterroriza-me.

Vamos lá pôr os pontos nos iiis.

Defender a liberdade de expressão sem limites não é defender que que se pode dizer tudo IMPUNEMENTE. Quer apenas dizer que podes dizer tudo o que não configura crime sem ir de cana ou levar um tiro nos cornos. E que podes dizer o que configurar crime e ser condenado por isso por quem de direito.

Defender a liberdade de expressão sem limites não significa que concordes com todas as barbaridades que são ditas por aí, significa que respeitas os outros o suficiente para os considerar grandinhos o suficiente para ter bom senso e para (principalmente para) aceitar as consequências dos seus actos e palavras.

Preocupa-me que se ponha sequer a hipótese de voltar a ter uma sociedade com censura.. Preocupa-me que haja quem acha quem o defenda com unhas e dentes. Preocupa-me mesmo muito.

 

 

 

publicado às 15:10

Nunca sei se a ignorância é uma bênção ou se é apenas muito atrevida

As putas das certezas que temos em teoria......caem por terra assim que a realidade entra em acção.

Decisões que nos parecem fáceis, em teoria, questões sobre as quais temos uma opinião, uma certeza, e que às vezes até votamos em forma de referendo e, com a democracia em vigor,  a que damos força de lei transformam-se em dúvidas, em temas em que não queremos pensar.

Quem tem a capacidade de decidir sobre o direito que uma mulher tem de fazer um aborto ou de alguém optar pela eutanásia? Quem vê de fora, analisa, imagina o "e se fosse comigo"? Quem tem a distância suficiente para opinião de forma fria e objectiva? Quem passa por isso, quem tem que, efectivamente, tomar a decisão mesmo não o querendo fazer?

Já tive tantas certezas e tenho tantas dúvidas agora.

Nunca sei se a ignorância é uma bênção ou se é apenas muito atrevida.

 

publicado às 12:53

Palavras

É recorrentes, nas redes sociais, a discussão do "piropo", da sua utilização e (possível) criminalização. Não me dou ao trabalho de me meter em tais conversa (são, na maioria das vezes "conversas de surdos") mas, no outro dia, achei divertido ir assistindo a uma delas. Eram dois homens, um que dizia que um piropo tinha o objectivo de elogiar (e obviamente dava dois ou três exemplos de piropos inócuos e fofinho), o outro dizer que nenhuma mulher gostava de ouvir qualquer piropo, por mais fofinho que fosse, porque isso era uma intrusão no seu espaço pessoal. (podem imaginar como a conversa evoluiu, escalando para níveis ridículos)

Fiquei ali, a assistir à conversa e a pensar que ambos tinham e não tinham razão (e que nenhum deles ia aceitar tal coisa). É muito difícil explicar que na história do "piropo" contam mais as intenções que as próprias palavras. Claro que não estou a desvalorizar as palavras, há coisas que não são aceitáveis entre desconhecidos ou simplesmente conhecidos e que ditas a crianças são absolutamente revoltantes. As mesmas palavras, um piropo fofinho e inócuo dito com intenção de magoar, de diminuir, de humilhar vai fazê-lo em 99% dos casos.  O mesmo piropo fofinho e inócuo dito com intenção de elogiar e de mimar vai ,em 99% dos casos, originar pelo menos um sorriso.

Mas é quase impossível criminalizar a intenção, porque as palavras retiradas de contexto, retiradas do que se intui atrás das palavras, são meras palavras, que podem ser interpretadas consoante a intenção do leitor que, em 99% dos casos, a irá interpretar consoante a sua própria consciência e opinião sobre o assunto.

publicado às 16:55

O mundo é Lisboa, o resto são arredores

Precisava marcar uns exames médicos e pensei que seria mais fácil marcá-los em Lisboa. Por várias razões que não vêm ao caso, assumi que, havendo muito mais escolha por aqui a coisa se daria mais facilmente.

A primeira data que me dão é 28 de Outubro.

Ok, bora lá ver se consigo melhor

segunda data: Dezembro (não quis sequer saber o dia)

terceira data: 22 de Novembro

...

...

Ok, bora tentar em XXXX (0 esperança):

- Qual é a primeira data que tem disponível para fazer...?

-a primeira data... amanhã, quer?

- Epá, estou em Lisboa, amanhã não consigo, qual é o primeiro sábado que tem disponível?

-Este, pode ser às 11h30?

-Marcadíssimo. 

 

Sim, sim, Lisboa é um espectáculo e a província um atraso de vida!!!! 

Ah, são felizes e não sabem, ou provavelmente sabem, nós por cá é que temos a mania que vivemos na capital e que temos tudo e vai-se a ver é isto. 

publicado às 10:57

...

Achava eu que, na vida real de adulta, já não havia essa coisa de grupos formados pelos mais populares cujo passatempo preferido era massacrar a vida dos desgraçados que tinham borbulhas no rosto, um pé coxo ou que simplesmente não "caiam no goto" do líder da matilha. Engano meu. Não sei se sempre foi assim (afinal não foi adulta antes da época da internet) mas nas redes sociais é exactamente a isso que se assiste todos os dias.

Sob a capa do politicamente correcto, do socialmente correcto, arreganha-se os dentes e, suportados pelo resto da matilha, ataca-se. As dentadas talvez sejam virtuais mas a verdade é que se destila veneno. Muito.

E o mais ridículo é que esta atitude é igual na maioria dos grupos, não importa o que defendam. E é um ciclo vicioso no que diz respeito, por exemplo, à liberdade de expressão: há quem a defenda atacando quem se atreve a ter uma opinião diferente ou a dizer uma parvoíce qualquer com o argumento (real e verdadeiro) que esse ataque também é liberdade de expressão. 

A minha presença nas redes sociais é cada vez menor, cada vez mais inconsequente (eu não deixei de ter opinião, deixei foi de a divulgar nos blogs) porque tudo isto me incomoda. Sempre tive a tendência a ser do contra e a lutar pelo que acredito mas deixei de acreditar que valha a pena lutar, ter bom senso ou sequer meter-me ao barulho. Vou simplesmente deixando de ler certos blogs, seguir certas páginas ou pessoas nas redes sociais, questionando e procurando resposta fora das páginas dos jornais e fazendo o que sempre me ensinaram a fazer: pensar e tomar as minhas próprias decisões.

São as mesmas pessoas que pedem respeito pela minoria de que fazem parte que se juntam a outros para destruir uma pessoa. São as mesmas pessoas que se insurgem contra o bullying que o praticam activamente à primeira oportunidade.

São as pessoas que defendem a liberdade de expressão que não percebem a diferença entre lutar contra uma ideia a lutar contra quem defende essa ideia. Que não percebem que, ou se insere na categoria de crime - e deve ser denunciado e resolvido nos tribunais - ou se insere na categoria de liberdade de expressão - pode e deve ser debatido, pode e deve haver luta para mudar mentalidades... mas tentar calar, ameaçar de morte, insultar de todas as formar possíveis (interessante que não há imaginação nos insultos) é apenas estúpido e não ajuda em nada a causa em questão.

 

publicado às 14:30

Solteiros contra Casados

Confesso que pensei chamar a este post "GALP, BP ou CEPSA" ou "EDP vs Endesa" mas preferi usar uma expressão divertida, que me deixa de bem com a vida e que me faz lembrar um célebre jogo de futebol onde, às páginas tantas  (leia-se "quase no final do jogo"), se reparou que o árbitro estava de chinelos e uma das equipas tinha um elemento a mais. Mas rimo-nos até nos doer a barriga, houve insultos qb (generalizou-se a private joke da aldeia de "solteiros, olé!") e ficou toda a gente amiga na mesma.

A verdade é que posso dizer que "detesto futebol". Continuo a divertir-me imenso nos "solteiros contra casados" desta vida, acho que o desporto em si até é entusiasmante, até acho piada à atmosfera de união em redor da selecção nacional mas cada vez mais detesto o negócio do futebol (e que não sobre margem para dúvidas - isto não é nenhuma paixão para os envolvidos - é um negócio). O que me surpreende é a importância que tanta gente dá aos resultados destas empresas, o tempo que se perde a discutir o indiscutível, a ofensa que é alguém ser de outro clube ou dizer uma parvoíce qualquer em relação ao clube em questão.

Talvez eu não prestasse tanta atenção antes mas tenho a sensação que as coisas mudaram drasticamente nos últimos anos, que se saltou para um campeonato completamente diferente, que me preocupa e enoja.

publicado às 15:15

polos iguais repelem-se

Há quem não perceba que duas pessoas que gostam das mesmas coisas ou têm a mesma opinião em relação a algumas coisas  não têm, necessariamente que ser amigas. Há diferenças irreconciliáveis e pessoas, cujos valores são tão diferentes dos meus, de quem sou incapaz de ser amiga mas a maioria dos meus amigos são bastante diferentes de mim. 

As diferenças atraem-me muito mais que as semelhanças.

publicado às 17:10

A triste verdade

Quem me conhece há uns anos (vá, para efeitos estatísticos consideremos uns 20) dirá que estou muito mais calma e ponderada. Que já não expludo com tanta facilidade, que já consigo virar as coisas e sair de uma discussão, que perco menos vezes a razão põe ser emotiva e que cresci imenso.

...

...

Na verdade, passo a vida a revirar os olhos mentalmente, a mandar - em silêncio - gente à merda e a outros sítios igualmente interessantes. Simplesmente, cada vez tenho menos paciência para a maioria das pessoas que me rodeiam e já "desisti" da maioria dos meus conhecidos há muito.

publicado às 16:11

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D