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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

polos iguais repelem-se

Há quem não perceba que duas pessoas que gostam das mesmas coisas ou têm a mesma opinião em relação a algumas coisas  não têm, necessariamente que ser amigas. Há diferenças irreconciliáveis e pessoas, cujos valores são tão diferentes dos meus, de quem sou incapaz de ser amiga mas a maioria dos meus amigos são bastante diferentes de mim. 

As diferenças atraem-me muito mais que as semelhanças.

publicado às 17:10

A triste verdade

Quem me conhece há uns anos (vá, para efeitos estatísticos consideremos uns 20) dirá que estou muito mais calma e ponderada. Que já não expludo com tanta facilidade, que já consigo virar as coisas e sair de uma discussão, que perco menos vezes a razão põe ser emotiva e que cresci imenso.

...

...

Na verdade, passo a vida a revirar os olhos mentalmente, a mandar - em silêncio - gente à merda e a outros sítios igualmente interessantes. Simplesmente, cada vez tenho menos paciência para a maioria das pessoas que me rodeiam e já "desisti" da maioria dos meus conhecidos há muito.

publicado às 16:11

Chama-se sorte

Irrita-me um bocadinho quando oiço falar da actual grandeza de Portugal com um discurso que começa no europeu de futebol e acaba no festival da canção.

Não me interpretem mal, curti milhões que a selecção ganhasse o europeu à França e que o Salvador ganhasse o festival. Mas a selecção ganhou mal e porcamente, não jogaram (quase) nada mas tiveram a estrelinha do seu lado e ganharam e nós festejámos e o CR pôde acrescentar o troféu ao palmarés de melhor do mundo (e esse título é dele, não nosso) e o Salvador ganhou por ele (e pela irmã), ganhou porque o resto era tudo uma merda e ele é bom (ando a ouvir em repeat o seu álbum excuse me) e diferente (e também aqui a sorte esteve do "nosso" lado) mas não vale a pena ter ilusões, a música portuguesa vai continuar a ser maltratada e os melhores vão continuar a não vender pela única razão de que a maioria das pessoas que compra e vai aos concertos gosta mesmo é de música pimba (e se não acreditam nisso só tenho para vos dizer "não conhecem muita gente, pois não?").

Ainda bem que o país começa a ter orgulho em si próprio mas devia tê-lo pelas razões certas. Porque nós somos bons e competentes e reconhecidos em tantas coisas (e maus também) e evoluímos tanto e desenrascamo-nos como ninguém e depois diminuímo-nos vangloriando-nos de coisas onde não fomos assim tão bons, que não interessam assim tanto, que são vitórias mais pessoais que colectivas ou que são puro golpe de sorte.

publicado às 15:47

Machismo ao contrário

Não sei qual é o contrário de machismo. Machismo é, por definição, a ideologia que defende que o homem é socialmente superior à Mulher. Ora, como feminismo não defende a superioridade da mulher em relação ao homem, então o feminismo Não é o contrário de machismo.

O que hoje li, num site que se assume como feminista e tem, efectivamente, tido um papel importante na luta pela igualdade de direitos, chocou-me. Não pelo conteúdo porque, apesar de não concordar e de me parecer uma imbecilidade, sou a favor da liberdade de expressão – independentemente do texto ser ou não um reflexo da minha opinião.

O que me chocou foi mesmo aquele texto ser publicado naquela plataforma por ser, do meu ponto de vista, tão discrepante dos valores que supostamente difundem. Aquele post mostra um bocadinho do que é o contrário do machismo. E eu sei que não feminismo.

Depois chocou-me a tentativa de demarcação, do grupo responsável pelo site, em relação ao conteúdo. Das duas uma, ou assumem que sancionaram o texto, aceitando o seu conteúdo e considerando-o relevante e de acordo com os valores que pretendem transmitir ou assumem que são uma plataforma de discussão de várias ideias e que é cada um por si – e aí não podem assumir que são uma plataforma feminista. E não o podem fazer porque este texto marcou um retrocesso na luta pela igualdade e destruiu a credibilidade que tinham.

O que me lixa é que passo boa parte do tempo a dizer que ser feminista não é ser contra os homens, é lutar pela igualdade de direitos, deveres e oportunidades de todos, Homens e Mulheres e agora tenho que ainda acrescentar que sim, sei que há quem se auto-denomine feminista e seja antes uma imbecil radical.

(e não há cá links nem publicidade para ninguém, se não sabem do que estou a falar, ignorem, ficam muito mais felizes)

publicado às 14:39

Pela diversidade e pela identidade

Salvador Sobral ganhou-nos a Eurovisão com uma música cantada em português e sem fogo-de-artifício. Numa noite em que se devia celebrar a diversidade a maioria das músicas foram cantadas em inglês o que significou que boa parte da população desses países não foi representada. Dir-me-ão vocês que o Salvador provou que não é necessário perceber a letra para gostar da música e eu respondo-vos que o que Salvador provou foi que cantar com amor e em nome próprio ainda (tem dias) vale a pena.

Na noite em que o miúdo que canta "Amar pelos dois" se apurou para a Eurovisão li uma série de comentários no Twitter  (adoro seguir estas cenas no twitter) de miúdos (só se lhes perdoa pela idade) a "chorar" que íamos ser diferentes dos outros e que não cantando em inglês, não sendo igual aos outros, íamos perder outra vez. Espero que esta vitória sirva, ao menos, para fazer este miúdos, para fazer-nos a todos, pensar no que queremos para a nossa identidade. Nada contra cantores portugueses cantarem em inglês se assim o desejarem. Tudo contra cantores portugueses cantarem em inglês porque acham que só assim têm sucesso.

Uma música deve expressar a identidade, o talento, a arte, os sentimentos de quem canta. Não pode, não deve, ser apenas um negócio. 

Não tenho ilusões e sei que isto vai mudar nada, ou pouco. Os concursos televisivos vão continuar a ter maioritariamente concorrentes que desprezam a língua portuguesa. As rádios vão continuar a passar pouca música portuguesa e a que passam é escolhida a dedo. Eu vou continuar a não fazer parte da maioria e vou continuar a ser a pessoa estranha que gosta de ouvir música em português e que gosta de ouvir os poemas das músicas (talvez por isso tenha sido das poucas pessoas a ficar feliz com o prémio nobel da literatura dado a Bob Dylan). Mas talvez alguns miúdos queiram ser como o Salvador e a Luísa e ousem ser originais.

Diversidade e identidade. 

publicado às 12:42

Novelas mexicanas

Todos os dias há mais uma polémica nas redes sociais. Labaredas de fogo-fátuo que no dia seguinte ninguém já se lembra, de tão ocupados com a nova polémica que surgiu. Seguir algumas destas polémicas é mais ou menos a mesma coisa que seguir uma novela mexicana. Há os protagonistas, os personagens secundários, o núcleo do humor e o vilão. Há, do outro lado da barricada, quem assista no sofá, quem opine nas revistas da especialidade (aka facebook e/ou Twitter), há quem veja outro canal e outra novela. A malta sofre, vive aquilo com uma intensidade tremenda mas depois, no final do dia, vai dormir e esquece o assunto, porque uma novela tem sempre um peso relativo na nossa vida.

E os vilões às vezes são castigados a sério, às vezes atinge-se resultados. Mas na maioria dos casos o que sobra destes fogos-fátuos são vitimas colaterais, de quem ninguém mais sabe nem quer saber.

publicado às 11:30

A melhor arma é o silêncio

Acredito mesmo nisto.

A melhor arma contra a palavra é o silêncio.

É certo que nem sempre é a necessária, às vezes o silêncio não chega quando em contraste com a monstruosidade das palavras, contra o negrume dos actos. Mas isso é outra história.

Mas contra as palavras venenosas de gente pequena? Aí não tenho dúvidas. O silêncio é mesmo a melhor arma.

Todos os dias leio palavras feias, daquelas que magoam, que destroem. Mas não as leio pela mão de quem as escreveu, vou aos poucos excluindo essas pessoas da minha vida, mas sim pela mão de quem as critica, de quem se insurge contra elas. Às vezes ao insurgir-se, limitam-se a propagar.

Sou, e sempre serei, a favor da liberdade de expressão. E como tantas vezes se cita quando se fala de liberdade de expressão "sempre lutarei para que tenhas a liberdade de dizer algo com o qual não concordo". Ser a favor da liberdade de expressão implica aceitar que outros digam coisas que nos magoam, com as quais não concordamos. E contra estas palavras escolho o silêncio.

O meu silêncio não significa que compactue com mensagens racistas, misóginas, homofóbicas, xenófobas. O meu silêncio é mais eficaz que as minhas palavras. O meu silêncio impede que eu seja um elo na propagação dessa mensagem. O meu silêncio significa o meu repúdio contra essa mensagem. O meu silêncio significa que não dou voz a essas vozes.

 

publicado às 13:04

Já só falta deixar um paninho para limpar a mesa*

Num café/bar onde um um café custa um euro (ou mais) não é aceitável:

  • copos de plástico
  • talheres de plástico
  • que sejam os clientes a levantar a mesa

*se bem que umas tolhitas para que pudessemos limpar/desinfectar a mesa ANTES não era má ideia, que cada vez que vejo os panos usados para as "limpezas" tenho vontade de me ir embora na hora...

publicado às 19:53

Há dias em que não é fácil ser eu

Ia escrever um texto acerca de como a percepção das coisas muda, de como fiquei tão ofendida quando me impediram de progredir profissionalmente por causa da idade e de como hoje percebo a razão que tinham e agradeço o terem-me livrado de me tornar numa pedante e ainda por cima má profissional. Ia também acrescentar que sempre me irritou o paternalismo com que me olhavam quando eu tinha menos 15 ou 20 anos do que tenho agora e de como me sinto a olhar alguns miúdos exactamente com o mesmo sentimento (tabefes, a vontade que tenho às vezes de desatar aos tabefes e depois penso que são filhos dos outros e fico tão mais descansada). Mas dou por mim a ter receio de estar, outra vez, a dizer asneiras e calo-me.

Há dias em que não é fácil ser eu.

publicado às 14:41

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