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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

Urticária mental

Não sou das pessoas com o sentido de humor mais apurado. Não gosto de 90% das comédias, não tenho jeito para contar anedotas nem sou especialmente fã de tal (excepto de piadas secas - adoro) e o humor de que mais gosto é o negro. 

Mas se há coisa que me tira do sério é esta mania de que tudo é permitido ao humor e que eu também tenho que achar piada. Sim, defendo que estão à vontade para dizer todas as parvoíces e asneiradas com as quais eu não concordo mas não me venham com merdas e com a célebre "ai, que sensível, estava a brincar, não tens nenhum género de sentido de humor". Até porque chamarem-me "sensível" faz com que "veja tudo negro à minha frente" e tenha que fazer um mega esforço para me controlar o que se torna completamente incompatível com o sentido de humor.

O grande problema é que as piadas/textos/opiniões que antecedem esta frase são geralmente de teor misógino, homofóbico ou racista, que são coisas que geralmente me dão urticária mental.

Além disso acho absolutamente desonesto intelectualmente a falta de opção na reacção. É que ou achas piada e "és do grupo" ou estás tramada. Se ficas calada (por achares que toda a gente tem o direito de ser imbecil) és uma "enjoadinha que não acha piada a nada". Se respondes ou te começam a explicar que "és tão sensível, estava a brincar, não tens nenhum género de sentido de humor" ou embarcas numa discussão absolutamente surreal que acaba com um "és tão sensível, estava a brincar, não tens nenhum género de sentido de humor".

E sim, acabei de ler um texto absolutamente misógino mas foi escrito por um humorista. Se tivesse sido escrito por qualquer outra pessoa ainda era possível argumentar mas assim não vale a pena porque a ideia geral é que não se está a transmitir e propagar uma ideia misógina, está-se apenas a "fazer humor".

 

publicado às 15:08

Westworld e a atualidade

Comecei a ver o westworld, uma das séries da moda que está a deixar todos assim meio histéricos, e tenho que confessar que não estou a amar de paixão. É verdade que ainda só vi 2 episódios mas ainda assim acho que me vou cansar rapidamente.

Provavelmente a moral da série vai passar pela humanização dos robots, pela evolução, pela regressão e perdição da humanidade por todas as questões que isso vai levantar. Mas para já eu fiquei presa na constatação de um facto assustador: aquele parque teria, na realidade, todo o sucesso do mundo. E para mim isso é assustador.

A vontade que o ser humano tem de matar, o prazer que tem por violar, destruir, magoar, maltratar é algo que me assusta. Querer fazê-lo "a brincar" é indiferente. Ajuda um bocadinho ter discernimento para saber que é errado mas a intenção está lá.

É como o "vergonha não é roubar, é ser apanhado".

E por falar em "vergonha não é roubar, é ser apanhado" não consigo deixar de associar isto às vergonhosas notícias do futebol leaks que têm surgido nestes dias. Cambada de ladrões. Nunca conseguirei perceber porque é que gente com tanto dinheiro precisa fugir aos impostos. Uma pessoa esmifra-se a trabalhar e (depois de reclamar) paga todos os impostos, esforça-se por ter a situação fiscal em dia e estes cabrões que têm dinheiro para viver 1000 vidas de luxo, acham-se acima do comum mortal e não têm vergonha na cara.

O pior é que o sentimento geral é que isto é só um azar, "coitados foram apanhados" ou "Mas os outros tb o fazem" ou "eles são futebolistas não contabilistas" e eles continuam a ser os ídolos dos miúdos e dos graúdos, continuam a ser aplaudidos, vão continuar a ser o modelo de pessoa. Quando a verdade é que são os piores de todos: fazem-no por ganância e não por necessidade. Mas a ganância não é pecado...

publicado às 09:48

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