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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

Uma paleta de cores

Nunca me passou pela cabeça que em 2017 ainda fosse possível haver uma discussão sobre supremacia branca

Não sou tão inocente como estarão a pensar neste momento. Eu acreditava que algumas pessoas pensavam assim, o que nunca me passou pela cabeça foi que fossem tantas e tivessem a coragem de o admitir e defender. Acreditava, ingenuamente, que o sentido de decência os manteria na sombra. Acreditava que seriam uma minoria, tão minoria que nunca voltariam a ser um perigo. 

A discussão dos últimos dias deixou-me estarrecida. A descontracção com que vê gente a defender algo tão ridículo como a superioridade pela cor deixa-me cheia de medo. Sim, medo. 

publicado às 09:48

service not included

Se há coisa que me deixa sempre desconfortável é a questão da gorjeta. Não falo de umas moedas deixadas em cima da mesa após um jantar porreiro. Falo da obrigatoriedade ou não de a dar. Falo de gratificar um serviço que não pedi nem quero (por exemplo que carreguem a minha mochila para um quarto de hotel) ou de um serviço prestado com má cara ou má vontade.

Até há pouco a minha ideia de gorjeta era a de pura gratificação e hábito. O empregado de mesa até foi um porreiro e não nos deixou pedir a sobremesa de ontem? Então, sim, a malta junta-se e deixa-lhe algum dinheiro em cima da mesa. Mas no geral eu sou aquela pessoa que não regateia preços, compro quando acho o preço justo, quando posso e quero comprar. E por norma, acho que o salário do funcionário faz parte do serviço/bem que estou a comprar e como tal não lhe devo mais nada.

O problema é que o que é normal para mim, aparentemente, não o é para muitos patrões. 

A verdade é que já começamos a ver "service not included" na conta de certos restaurantes cá em Portugal, deixando ao cliente a decisão de pagar ou não ao funcionário. 

A minha primeira reacção é não voltar a tal restaurante mas a verdade é que provavelmente ali pagam ao empregado o salário mínimo e o resto são as "gorjetas", exactamente como em qualquer outro restaurante. Simplesmente ali há um "empurrão extra" para que o cliente deixe efectivamente a tal percentagem que cabe ao "serviço". E a verdade é que aquele miúdo que está em "formação" é um estagiário que não recebe nada a não ser a tal gorjeta. E eu tenho um grave problema com a ideia de "trabalho não remunerado". 

Não consigo aceitar que a gorjeta seja mais do que um extra bem-vindo. Mas também não consigo achar justo que alguém trabalhe de borla. Fico sempre na dúvida se, ao dar a gorjeta, estou a alinhar nesta exploração ou se estou a minimizar uma injustiça. De qualquer das formas, a problemática dos 10 ou 15% (a sério, o que se dá de gorjeta qdo se vai beber um café a um sítio com "service not included"?) continua a azucrinar-me o juízo.

publicado às 19:34

Machismo ao contrário

Não sei qual é o contrário de machismo. Machismo é, por definição, a ideologia que defende que o homem é socialmente superior à Mulher. Ora, como feminismo não defende a superioridade da mulher em relação ao homem, então o feminismo Não é o contrário de machismo.

O que hoje li, num site que se assume como feminista e tem, efectivamente, tido um papel importante na luta pela igualdade de direitos, chocou-me. Não pelo conteúdo porque, apesar de não concordar e de me parecer uma imbecilidade, sou a favor da liberdade de expressão – independentemente do texto ser ou não um reflexo da minha opinião.

O que me chocou foi mesmo aquele texto ser publicado naquela plataforma por ser, do meu ponto de vista, tão discrepante dos valores que supostamente difundem. Aquele post mostra um bocadinho do que é o contrário do machismo. E eu sei que não feminismo.

Depois chocou-me a tentativa de demarcação, do grupo responsável pelo site, em relação ao conteúdo. Das duas uma, ou assumem que sancionaram o texto, aceitando o seu conteúdo e considerando-o relevante e de acordo com os valores que pretendem transmitir ou assumem que são uma plataforma de discussão de várias ideias e que é cada um por si – e aí não podem assumir que são uma plataforma feminista. E não o podem fazer porque este texto marcou um retrocesso na luta pela igualdade e destruiu a credibilidade que tinham.

O que me lixa é que passo boa parte do tempo a dizer que ser feminista não é ser contra os homens, é lutar pela igualdade de direitos, deveres e oportunidades de todos, Homens e Mulheres e agora tenho que ainda acrescentar que sim, sei que há quem se auto-denomine feminista e seja antes uma imbecil radical.

(e não há cá links nem publicidade para ninguém, se não sabem do que estou a falar, ignorem, ficam muito mais felizes)

publicado às 14:39

Urticária mental

Não sou das pessoas com o sentido de humor mais apurado. Não gosto de 90% das comédias, não tenho jeito para contar anedotas nem sou especialmente fã de tal (excepto de piadas secas - adoro) e o humor de que mais gosto é o negro. 

Mas se há coisa que me tira do sério é esta mania de que tudo é permitido ao humor e que eu também tenho que achar piada. Sim, defendo que estão à vontade para dizer todas as parvoíces e asneiradas com as quais eu não concordo mas não me venham com merdas e com a célebre "ai, que sensível, estava a brincar, não tens nenhum género de sentido de humor". Até porque chamarem-me "sensível" faz com que "veja tudo negro à minha frente" e tenha que fazer um mega esforço para me controlar o que se torna completamente incompatível com o sentido de humor.

O grande problema é que as piadas/textos/opiniões que antecedem esta frase são geralmente de teor misógino, homofóbico ou racista, que são coisas que geralmente me dão urticária mental.

Além disso acho absolutamente desonesto intelectualmente a falta de opção na reacção. É que ou achas piada e "és do grupo" ou estás tramada. Se ficas calada (por achares que toda a gente tem o direito de ser imbecil) és uma "enjoadinha que não acha piada a nada". Se respondes ou te começam a explicar que "és tão sensível, estava a brincar, não tens nenhum género de sentido de humor" ou embarcas numa discussão absolutamente surreal que acaba com um "és tão sensível, estava a brincar, não tens nenhum género de sentido de humor".

E sim, acabei de ler um texto absolutamente misógino mas foi escrito por um humorista. Se tivesse sido escrito por qualquer outra pessoa ainda era possível argumentar mas assim não vale a pena porque a ideia geral é que não se está a transmitir e propagar uma ideia misógina, está-se apenas a "fazer humor".

 

publicado às 15:08

Westworld e a atualidade

Comecei a ver o westworld, uma das séries da moda que está a deixar todos assim meio histéricos, e tenho que confessar que não estou a amar de paixão. É verdade que ainda só vi 2 episódios mas ainda assim acho que me vou cansar rapidamente.

Provavelmente a moral da série vai passar pela humanização dos robots, pela evolução, pela regressão e perdição da humanidade por todas as questões que isso vai levantar. Mas para já eu fiquei presa na constatação de um facto assustador: aquele parque teria, na realidade, todo o sucesso do mundo. E para mim isso é assustador.

A vontade que o ser humano tem de matar, o prazer que tem por violar, destruir, magoar, maltratar é algo que me assusta. Querer fazê-lo "a brincar" é indiferente. Ajuda um bocadinho ter discernimento para saber que é errado mas a intenção está lá.

É como o "vergonha não é roubar, é ser apanhado".

E por falar em "vergonha não é roubar, é ser apanhado" não consigo deixar de associar isto às vergonhosas notícias do futebol leaks que têm surgido nestes dias. Cambada de ladrões. Nunca conseguirei perceber porque é que gente com tanto dinheiro precisa fugir aos impostos. Uma pessoa esmifra-se a trabalhar e (depois de reclamar) paga todos os impostos, esforça-se por ter a situação fiscal em dia e estes cabrões que têm dinheiro para viver 1000 vidas de luxo, acham-se acima do comum mortal e não têm vergonha na cara.

O pior é que o sentimento geral é que isto é só um azar, "coitados foram apanhados" ou "Mas os outros tb o fazem" ou "eles são futebolistas não contabilistas" e eles continuam a ser os ídolos dos miúdos e dos graúdos, continuam a ser aplaudidos, vão continuar a ser o modelo de pessoa. Quando a verdade é que são os piores de todos: fazem-no por ganância e não por necessidade. Mas a ganância não é pecado...

publicado às 09:48

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