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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

Palavra, emoji ou simplesmente uma grande estupidez

O pessoal do Oxford Dictionaries decidiu considerar um emoji (uma imagem com um sorriso e lágrimas de alegria) como a palavra do Ano de 2015.

Não duvido que esta decisão tenha agradado a imensa gente que a vê como uma decisão visionária. Afinal a necessidade de comunicar de forma rápida e fácil é inegável. Num mundo em que estamos constantemente online e em que todos os outros estão online também, a única forma de conseguirmos dar atenção a todos de igual forma é fazê-lo de uma forma extremamente eficaz (ou corremos o risco de ser esquecidos – e toda a gente sabe que não existir num mundo virtual é não existir de todo) e os emoji dão uma ajuda imensa.

Acredito que ao legitimar este género de merdice colocando-o ao nível de “palavra do ano” (atribuído por uma instituição que inclui a palavra “OXFORD”) damos mais um passo na direção contrária à que deveríamos.

Um aparte para exemplificar o meu ponto de vista: No outro dia estive a ouvir (ou a ler, não me lembro das circunstâncias específicas) alguém a falar da inexistência de palavras na língua Árabe para falar de feminismo ou direitos das mulheres. Não é uma questão formal, é uma questão de simplesmente não existirem termos que permitam essa discussão. É interessante pensarmos nas consequências práticas da não existência de palavras…

Eu não tenho qualquer problema com os emoji (uso-os tanto como qualquer outra pessoa que utilize as redes sociais) e acredito que, às vezes (mas só às vezes) “uma imagem vale mais que mil palavras” mas acredito que considerar um boneco como palavra do ano é legitimar a limitação das emoções à meia dúzia de bonecos disponibilizados, é regredir no tempo (o desenvolvimento da língua nasceu da complexidade do que pretendemos transmitir) e que, a médio e a longo prazo, a consequência desta limitação na comunicação será até perigosa.

Poderia falar também no poder da palavra (inconsequente num emoji), na beleza de um poema ou da prosa poética ou na magia de um livro…  mas limito-me a deixar a definição de “Palavra”.

 

pa·la·vra
(latim parabola, -ae)

Substantivo feminino

  1. [Linguística] [Linguística] [Linguística] Unidade linguística com um significado, que pertence a uma classe gramatical, e corresponde na fala a um som ou conjunto de sons e na escrita a um sinal ou conjunto de sinais gráficos. = TERMO, VOCÁBULO
  2. Mensagem oral ou escrita (ex.: tenho que lhe dar uma palavra).
  3. Afirmação ou manifestação verbal.
  4. Permissão de falar (ex.: não me deram a palavra).
  5. Manifestação verbal de promessa ou compromisso (ex.: confiamos na sua palavra).
  6. Doutrina, ensinamento.
  7. Capacidade para falar ou discursar.

Interjeição

  1. Exclamação usada para exprimir convicção ou compromisso.


"Palavra", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/palavra [consultado em 23-11-2015].

 

publicado às 11:16

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