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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

Dia Internacional da Mulher

Para a maioria dos meus amigos (sem distinção de género) ser feminista e não querer “comemorar” o dia Internacional da mulher é apenas uma das minhas excentricidades. Afinal, eu não tenho nada de que me queixar: tenho um bom emprego, liberdade para ser o quiser, para pensar o quiser, um marido que me “ajuda” imenso e com o qual faço uma equipa 5 estrelas.

Ser feminista é a minha excentricidade e defeito mais ou menos aceite (já sabem que neste dia me vão ouvir falar em mutilação genital feminina - leiam este texto, pf). O paternalismo com que dizem “lá estás tu” ou “cuidado que a Pat é toda feminista” deixa-me à beira de um ataque de nervos e na maioria das vezes a minha resposta não passa de um olhar mortífero.

Sempre que se aproxima o Dia Internacional da Mulher começam a aparecer textos, crónicas, notícias, números e brincadeiras.

Os números, infelizmente, reflectem uma realidade de desigualdades, de morte e de discriminação associada ao género. E se é verdade que nos países da Europa as coisas estão maravilhosas comparativamente com o que se passa nalguns sítios, também é verdade que na Europa (e em Portugal em particular) os números são claros: não há ainda igualdade de género.

A maioria dos textos que tenho lido vão no sentido que considero correcto: na exposição das desigualdades e na tentativa de dar mais um passo até que haja igualdade (na diferença) de géneros; igualdade nos deveres, igualdade nas oportunidades.

Mas tenho-me vindo a aperceber de uma tendência cada vez mais patente nas palavras e que me preocupa um pouco.

Confundir feminismo com histerismo; compartimentar as feministas como as “loucas das casa” que se acham superiores aos homens, ridicularizar uma luta pela igualdade desvalorizando-a, assumindo um tom paternalista de “coitadas, falta-lhes sentido de humor”, pegando em áreas onde as mulheres se começaram a destacar e arranjando “desculpas” e argumentos para demonstrar que isso só acontece porque a sociedade as está a proteger. A cereja no topo do bolo para mim é sempre a desvalorização da violência sobre as mulheres porque “há muitos homens que são agredidos pelas mulheres e calam por vergonha", como se os números se pudessem igualar ou uma coisa compensasse a outra.

Nenhuma feminista diz que as mulheres são melhores que os homens. Mas aparentemente dizermos que, em deveres, direitos e oportunidades são iguais, assusta tremendamente uma parte da sociedade (também aqui, sem diferenciação de género).

publicado às 14:40

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