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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

cenas de uma feminista histérica #1

Estalou ontem a polémica com uma conhecida editora por esta vender 2 manuais de actividades para crianças entre os 4 e os 6 anos com capas/conteúdo ligeiramente diferente. Uma para rapazes e outra para meninas. 

Vou já começar por admitir que não concordo com o escândalo sobre o conteúdo. Não me incomoda que um dos livros tenha alguns exercícios com grau de dificuldade diferente. Não vejo nisso nenhuma conspiração para não preparar bem as meninas nem acho que isso signifique que elas são menos inteligentes/capazes. Aconteceu! Supostamente os livros deveriam ter um grau de dificuldade semelhante mas isso é quase impossível a não ser que sejam iguais - o que ainda seria mais estúpido.

 O que me incomodou mesmo foi haver livros de actividades diferentes para rapazes e para meninas. Até a porra da designação é sexista: rapazes e meninas. Não Rapazes e Raparigas nem Meninas e Meninos (mas vou deixar para lá esta diferença menor, não quero ser assim tão picuinhas).

O que me incomoda nesta "brincadeira" é o preconceito que leva uma editora com cartas dadas e uma responsabilidade acrescida na área da educação a distinguir actividades para meninos e para meninas, a embarcar na associação de determinadas actividades a um género específico. Incomoda-me que se considere normal fazê-lo.

Espero que o rosa e o azul nunca sejam banidos da nossa vida. Rosa, era a minha cor favorita em miúda e azul é uma das minhas cores favoritas hoje. Nem quero que as bonecas ou os berlindes sejam banidos das lojas. E acho uma fofura que sejam vendidas mini-cozinhas, mini-vassouras ou mini-baldes de esfregona. O que incomoda é que uma menina que prefira os berlindes acabe com a puta da boneca e um menino que adorava brincar com o balde de esfregona seja obrigado a fazer corridas de mini-carros. O que incomoda é que haja preconceito e o puto acabe a mudar as fraldas ao homem-aranha porque o sonho daquele Natal era ter recebido um boneco que faz xixi.

E aqui nos livros, incomoda-me que um pai/mãe/avó diga a um miúdo "esse não, que é para meninas e tu não és uma menina, pois não?" ou "esse é para rapazes, não é para ti".

E isto incomoda-me porque dizer a uma criança de 4 a 6 anos que o mundo é compartimentalizado e que há coisas que lhes estão vedadas é triste e cruel. E perigoso, porque naquela idade eles têm tendência a acreditar nos pais, mesmo que estes sejam uns filhos da puta.

 

*um dia destes explico o título, que o dia de ontem e de hoje deu-me material para vários posts...

 

 

publicado às 16:49

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