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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

Uma paleta de cores

Nunca me passou pela cabeça que em 2017 ainda fosse possível haver uma discussão sobre supremacia branca

Não sou tão inocente como estarão a pensar neste momento. Eu acreditava que algumas pessoas pensavam assim, o que nunca me passou pela cabeça foi que fossem tantas e tivessem a coragem de o admitir e defender. Acreditava, ingenuamente, que o sentido de decência os manteria na sombra. Acreditava que seriam uma minoria, tão minoria que nunca voltariam a ser um perigo. 

A discussão dos últimos dias deixou-me estarrecida. A descontracção com que vê gente a defender algo tão ridículo como a superioridade pela cor deixa-me cheia de medo. Sim, medo. 

publicado às 09:48

...

Achava eu que, na vida real de adulta, já não havia essa coisa de grupos formados pelos mais populares cujo passatempo preferido era massacrar a vida dos desgraçados que tinham borbulhas no rosto, um pé coxo ou que simplesmente não "caiam no goto" do líder da matilha. Engano meu. Não sei se sempre foi assim (afinal não foi adulta antes da época da internet) mas nas redes sociais é exactamente a isso que se assiste todos os dias.

Sob a capa do politicamente correcto, do socialmente correcto, arreganha-se os dentes e, suportados pelo resto da matilha, ataca-se. As dentadas talvez sejam virtuais mas a verdade é que se destila veneno. Muito.

E o mais ridículo é que esta atitude é igual na maioria dos grupos, não importa o que defendam. E é um ciclo vicioso no que diz respeito, por exemplo, à liberdade de expressão: há quem a defenda atacando quem se atreve a ter uma opinião diferente ou a dizer uma parvoíce qualquer com o argumento (real e verdadeiro) que esse ataque também é liberdade de expressão. 

A minha presença nas redes sociais é cada vez menor, cada vez mais inconsequente (eu não deixei de ter opinião, deixei foi de a divulgar nos blogs) porque tudo isto me incomoda. Sempre tive a tendência a ser do contra e a lutar pelo que acredito mas deixei de acreditar que valha a pena lutar, ter bom senso ou sequer meter-me ao barulho. Vou simplesmente deixando de ler certos blogs, seguir certas páginas ou pessoas nas redes sociais, questionando e procurando resposta fora das páginas dos jornais e fazendo o que sempre me ensinaram a fazer: pensar e tomar as minhas próprias decisões.

São as mesmas pessoas que pedem respeito pela minoria de que fazem parte que se juntam a outros para destruir uma pessoa. São as mesmas pessoas que se insurgem contra o bullying que o praticam activamente à primeira oportunidade.

São as pessoas que defendem a liberdade de expressão que não percebem a diferença entre lutar contra uma ideia a lutar contra quem defende essa ideia. Que não percebem que, ou se insere na categoria de crime - e deve ser denunciado e resolvido nos tribunais - ou se insere na categoria de liberdade de expressão - pode e deve ser debatido, pode e deve haver luta para mudar mentalidades... mas tentar calar, ameaçar de morte, insultar de todas as formar possíveis (interessante que não há imaginação nos insultos) é apenas estúpido e não ajuda em nada a causa em questão.

 

publicado às 14:30

Com linguagem imprópria para gente sensível (zinha).

Há quem fique muito surpreendido quando me ouve a dizer palavrões mas isso é só porque não me conhece realmente bem. Na verdade sou um género de "camionista mental" que manda muita gente à merda (ou para outros sítios igualmente simpáticos) em pensamento e que, de uma forma mais ou menos silenciosa, usa muito expressão "puta que pariu". Se estou irritada, mas num dia bom, sai-me (ou penso) às vezes um "era dar-lhe com um gato morto nas trombas até o desgraçado miar" (o gato, não a pessoa, obviamente, que o género de pessoa a quem digo isto não fala gatês). Deixei de usar a expressão "era marrar de frente com um comboio" porque comecei a sentir-me culpada pela violência da imagem e porque geralmente a usava em estados emocionais em que era muito complicado explicar a alguém a diferença entre ser ou não literal sem a insultar mais um bocadinho.

Ora, isto interessa para quê? Nada, claro, excepto que há dias, como hoje, em que o único alívio possível é um sonoro Foda-se (por favor nunca escrevam fodasse, perde toda a credibilidade e sonoridade) ou escrever assim de rajada uma parvoíce qualquer. 

publicado às 17:40

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