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Rabiscos Soltos

Rabiscos Soltos

RIP tons de cinza

Parece que os vários tons de cinzento estão mesmo fora de moda. Não me parece nada bem.

Sempre gostei várias cores. E de vários tons dentro da mesma cor. Mas actualmente parece que apenas estão na moda o preto e o branco. Não há misturas. 

O mundo está ficar sem tonalidades diferentes. 

A todo o mundo temos que decidir: estamos contra ou a favor? Branco ou preto? Se a maioria (ou a maioria que está mais perto de nós) defende o preto então temos que ter cuidado: defender o cinzento escuro é já um crime de "lesa pátria" e é basicamente o equivalente a dar o corpo às balas. O melhor nesse caso é prepara a armadura e partir para a guerra porque os ataques vão começar.

Pensar e ter uma opinião ligeiramente diferente é cada vez mais perigoso. 

Eu tenho sempre este problema: gosto do cinzento.

Acho que até as pessoas de quem não gosto podem e têm opiniões com as quais concordo, sabem coisas que eu não sei e me podem ensinar. Apesar de eu não gostar especialmente delas, nem as achar boas pessoas.

E as pessoas de quem gosto podem e têm opiniões com as quais não concordo.

É verdade que as pessoas de quem gosto têm valores muito parecidos com os meus mas (surpresa das surpresas) nem sempre os defendem da mesma forma que eu.

Mas uma coisa é certa: as pessoas de quem gosto aceitam que eu, às vezes, não tenha a mesma opinião, não seja tão entusiasta da mesma luta, não me prenuncie da mesma forma sobre o mesmo assunto. É que se há coisa que não suporto em alguém é que esse alguém veja o mundo em apenas duas cores: branco e preto.

publicado às 18:52

Palavras

É recorrentes, nas redes sociais, a discussão do "piropo", da sua utilização e (possível) criminalização. Não me dou ao trabalho de me meter em tais conversa (são, na maioria das vezes "conversas de surdos") mas, no outro dia, achei divertido ir assistindo a uma delas. Eram dois homens, um que dizia que um piropo tinha o objectivo de elogiar (e obviamente dava dois ou três exemplos de piropos inócuos e fofinho), o outro dizer que nenhuma mulher gostava de ouvir qualquer piropo, por mais fofinho que fosse, porque isso era uma intrusão no seu espaço pessoal. (podem imaginar como a conversa evoluiu, escalando para níveis ridículos)

Fiquei ali, a assistir à conversa e a pensar que ambos tinham e não tinham razão (e que nenhum deles ia aceitar tal coisa). É muito difícil explicar que na história do "piropo" contam mais as intenções que as próprias palavras. Claro que não estou a desvalorizar as palavras, há coisas que não são aceitáveis entre desconhecidos ou simplesmente conhecidos e que ditas a crianças são absolutamente revoltantes. As mesmas palavras, um piropo fofinho e inócuo dito com intenção de magoar, de diminuir, de humilhar vai fazê-lo em 99% dos casos.  O mesmo piropo fofinho e inócuo dito com intenção de elogiar e de mimar vai ,em 99% dos casos, originar pelo menos um sorriso.

Mas é quase impossível criminalizar a intenção, porque as palavras retiradas de contexto, retiradas do que se intui atrás das palavras, são meras palavras, que podem ser interpretadas consoante a intenção do leitor que, em 99% dos casos, a irá interpretar consoante a sua própria consciência e opinião sobre o assunto.

publicado às 16:55

cenas avulso

Normalmente gosto de chuva. Gosto de chuva mesmo quando não me dá jeito que chova. Gosto de chuva quando ando à chuva, com ou sem chapéu-de-chuva. Aliás, geralmente ando à chuva sem o tal chapéu por me esqueço deles em todo o lado. Esta semana ainda gosto mais de chuva do que o habitual. Gosto desta chuva que será uma bênção para tantos. 

 

Estou a ficar cada vez mais farta de pessoas. Raramente é possível ter uma conversa sem que esta se torne uma luta inconsequente.

 

Não interessa o que digas, vai haver alguém a insultar-te. Não interessa que os teus argumentos sejam válidos e mais do suficientes para "ganhar" a discussão. Na verdade nem sequer interessa que tenhas razão. Nunca vais  conseguir rebater o "porque sim" ou a acusação de seres da oposição (nem sequer interessa de quê).

 

A máxima "se não estás por mim, estás contra mim" é lei hoje em dia.

 

Ter convicções/opiniões não é bom para a saúde. Pelo menos para a mental. É que se tens o azar de ter uma opinião diferente, mesmo que ligeiramente, daquele "fazedor de opinião" prepara-te para ser insultado. Se responderes e não mudares de opinião és incluído num grupo de qualquer-coisa-nazi, que é um dos pseudo-insultos preferidos das redes sociais.

 

Ah e se não estás nas redes sociais vais descobrir que os teus amigos já não se lembram que existes. Quando lhes telefonares vão ficar muito surpreendidos por constatar que ainda estás vivo uma vez que não respondeste à "pool" que fizeram numa qualquer rede social. 

 

No meio disto tudo, se te lembrares que, na verdade, aquilo que dizes e sentes só tem importância para ti e vá, no máximo, 5 outras pessoas, vais perceber que na verdade nada de tudo o que escrevi anteriormente em grande importância e que, no fim do dia, é aquele momento de paz total que tiveste quando paraste na rua e sentiste a chuva a molhar-te a cara (e os óculos). 

publicado às 14:41

O mundo é Lisboa, o resto são arredores

Precisava marcar uns exames médicos e pensei que seria mais fácil marcá-los em Lisboa. Por várias razões que não vêm ao caso, assumi que, havendo muito mais escolha por aqui a coisa se daria mais facilmente.

A primeira data que me dão é 28 de Outubro.

Ok, bora lá ver se consigo melhor

segunda data: Dezembro (não quis sequer saber o dia)

terceira data: 22 de Novembro

...

...

Ok, bora tentar em XXXX (0 esperança):

- Qual é a primeira data que tem disponível para fazer...?

-a primeira data... amanhã, quer?

- Epá, estou em Lisboa, amanhã não consigo, qual é o primeiro sábado que tem disponível?

-Este, pode ser às 11h30?

-Marcadíssimo. 

 

Sim, sim, Lisboa é um espectáculo e a província um atraso de vida!!!! 

Ah, são felizes e não sabem, ou provavelmente sabem, nós por cá é que temos a mania que vivemos na capital e que temos tudo e vai-se a ver é isto. 

publicado às 10:57

um aparte

Quem me conhece sabe que não sou pessoa para me impor a ninguém. Tirando os amigos de casa, aqueles com quem me chateio a sério, com quem grito e admito que me gritem, não sou daquelas amigas cola. Não chateio os meus amigos informáticos quando tenho problemas no computador, não peço receitas nem baixas aos meus amigos médicos. Tento sempre respeitar os outros, dar-lhes a liberdade de ir embora quando querem e sem perguntas. Costumo dizer que não obrigo ninguém a gostar de mim. Mas se há merda que me tira do sério é ignorarem-me compulsivamente. 

Sim, o silêncio também é um tipo de resposta. O problema é que por norma eu não entro em paranóia se não me respondem. Acho normal, acontece. Nem se não me telefonam - não é o fim do mundo. E às tantas já não sei se a pessoa está mesmo a tentar afastar-se sem ter a coragem de me mandar à merda directamente ou se simplesmente aconteceu. Enfim, um dia, saberei. Ou não, também não faz grande diferença.

 

publicado às 23:30

Procrastinar, versão adulto

Trazer, voluntariamente, trabalho para fazer no fim de semana é sintoma do muito que tenho para fazer num prazo relativamente curto. Terei que fazer, ao longo das próximas semanas, boa parte do que tenho para fazer fora das horas normais de expediente. Ninguém tem culpa, ninguém me pode ajudar, são prazos definidos internacionalmente que o obrigam, é um facto e não há muito a fazer nem a discutir.

Claro que, assim que pensei em abrir o computador para trabalhar um pouco, vi logo inúmeras coisas urgentes para fazer aqui em casa.  

Mas tenho que ser sincera: apesar de ter trabalhado um bocadinho - o suficiente para não me sentir completamente culpada - o que mais fiz foi procrastinar, em versão adulto... Desde arrumar gavetas e estantes a fazer uma maravilhosa tarte de amêndoas, passando por terminar uma leitura de um livro que se arrastava há demasiado tempo, o meu fim de semana foi bastante preenchido.

Faltou-me coragem de procrastinar como deve ser: de pijama no sofá, com pizza e take-away às refeições a pôr (más) séries de TV em dia.

publicado às 20:48

O meu sofá está a tentar matar-me

Não sei que lhe fiz, não compreendo a razão da vingança, mas a verdade é que o meu sofá está a tentar matar-me. E eu, que o trato tão bem nem sequer deixo que o gato o arranhe. Mas o cabrão tentou matar-me. Já é a segunda vez esta semana. Tou aqui com um torcicolo que não consigo olhar para a esquerda, o que não dá jeito nenhum.

Para além de parecer um robot ainda cheiro a Voltaren. Só para que conste, isto não é publicidade (a marca não me deu/pediu/ofereceu nada) mas sim desespero. E dor. 

publicado às 15:56

Um voto, uma voz

Sempre que há eleições no horizonte tenho uma mega discussão com um amigo que insiste em não votar. Este ano já tinha decidido que não ia embarcar nessa outra vez mas tenho sina, sei lá, e saiu-me outro na rifa... lá houve nova discussão. 

Não consigo perceber como é que pessoas da minha idade se demitem de contribuir para a escolha de quem rege a sua vida. Eu sou a favor do voto obrigatório. Acho que apenas assim não votar seria efectivamente um protesto. Como o voto não é obrigatório, não votar é apenas preguiça e falta de respeito para com a sociedade em geral e com quem lutou pela democracia em particular.

infelizmente é muito difícil explicar a alguém que não votar não resolve nada e se limita a dar mais poder precisamente a quem dá mau nome à política e ao poder.

E invariavelmente dou por mim no meio de uma discussão inconsequente. 

Mas, e apesar de minha descrença na humanidade em geral (eu não era assim, caramba, eu era uma pessoa cheia de fé nos outros!) continuo a não desistir de pôr algum juízo em determinadas cabeças.

 

publicado às 21:30

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza:
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!...

                            Mário de Sá-Carneiro

 

(quando eu morrer, façam-me um favor e não partilhem a notícia no facebook... é que se há comentários do género "descanse em pax" ou "á mais uma estrelinha no céu", eu volto e temos o caldo entornado)

publicado às 22:18

internet e cenas

Por razões que não interessam decidi pegar no comando da TV e ir à procura de  qq para passar uma ou duas horas a não pensar no que me preocupava na altura. Fui direitinha às gravações automáticas e da box, corri (7 dias de) todos os canais de séries e filmes, desisti e fui ler um livro. 

Mas, como já tenho poucas coisas em que pensar, fiquei a remoer naquilo e, mais uma vez, perguntei-me porque raio pago um pacote de TV tão caro. A verdade, verdadinha, é que na TV vejo notícias (coisa cada vez mais dificil porque os canais de notícias estão infestados - a palavra certa - de comentadores de futebol), o Governo Sombra, o GoT (sim, eu via na TV) e pouco mais. O governo sombra até posso tirar daqui porque oiço boa parte das vezes em podcast. O GoT tb já acabou. Ficam as notícias, que 90% das vezes vejo na net. Tal como parte das séries de que gosto (calma, não estou a falar de pirataria, gosto imenso da RTP Play). Ou seja, eu só tenho televisão para ter Internet. Assim como só tenho telefone de casa para ter Internet. O que significa que a internet é cara como o raio. Traz brindes para nos enganar mas é cara como o raio. Mas eu já não posso/quero viver sem internet (podia dizer que é porque às vezes trabalho de casa, mas não é). 

Não me faz confusão pagar para ter televisão, acho que temos que pagar para ter televisão. O problema é que quando queremos ver televisão não há um programa que nos agrade. Agora vão-me falar da NETFLIX... a questão é: internet. É uma bola de neve....

 

 

publicado às 08:51

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